Rio Antes do Rio

CURADORIA

Rafael Freitas da Silva

O Rio de Janeiro é uma cidade de apagamentos culturais e ancestrais. A colonização portuguesa foi muito eficaz em destruir o que havia antes em nossa terra. Estudar os povos originários da Guanabara é, antes de tudo, reconhecer-se a si mesmo e entender como viemos parar aqui. Eles eram os donos da baía, das montanhas e florestas, deram os nomes aos lugares, bichos e plantas. Resistiram, batalharam e pereceram por essa terra. São a gênese da personalidade brasileira, do nosso jeito de ser e viver. Falamos palavras que vieram deles e eram estranhas ao português europeu. A galeria O Rio antes do Rio apresenta fragmentos da ancestralidade geográfica, histórica e cultural dos povos originários da Guanabara, bem como seus territórios, saberes e reminiscências que até hoje estão entre nós, cariocas.

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As principais ruas por onde andamos na cidade hoje eram lugares ancestrais. Caminhos que ligavam as diversas tabas que habitavam o entorno do Rio atual, algumas com altas densidades populacionais. Quanto maior a taba, maior seu número de guerreiros e, portanto, mais amplo era seu poderio “militar”. Um bom contingente de guerreiros aumentava a possibilidade de um grupo ocupar as melhores terras. No Rio de Janeiro, onde os tupinambás encontravam fartura de recursos naturais e chuvas regulares, algumas aldeias chegavam a medir 500 metros de diâmetro, o equivalente ao comprimento de cinco campos de futebol.

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