Taís Gomes
Alma Cigana
foi a primeira novela com capítulos diários lançada pela TV Tupi. No ano anterior, a TV Excelsior, sua principal concorrente, já havia estreado o modelo diário com o folhetim
2-5499 Ocupado.
Apesar disso,
Alma Cigana
foi pioneira pois, além de inaugurar o horário nobre das 20 horas, foi a primeira trama gravada em videoteipe.
A TV Tupi recebeu notoriedade pelo seu pioneirismo desde a sua inauguração, em 1950. Sua filial no Rio de Janeiro ocupou o edifício do antigo Cassino do bairro da Urca. A partir de então, artistas ligados ao cinema e ao teatro eram frequentemente vistos e tietados. Pessoas de outros bairros vinham ver a programação nos auditórios da emissora. Sem dúvida, a TV Tupi carioca introduziu uma nova forma de convivência aos pés do Pão de Açúcar.
Atenta às inovações com a chegada do videoteipe no Brasil, as produções da TV passaram a ser gravadas e armazenadas, e os telespectadores deixaram de assistir às falhas e improvisos dos programas que eram realizados somente ao vivo. O novo equipamento foi um marco na criação e comercialização das novelas, permitia a montagem de acervo, distribuição das produções, além de tornar os folhetins diários.
A dramaturga Ivani Ribeiro foi a convidada para escrever a primeira novela diária na TV Tupi. Adaptada a partir de um texto de Manuel Muñoz Rico,
Alma Cigana
foi dirigida por Geraldo Vietri. Em sua estreia nas novelas, Ana Rosa interpretou a freira Estela e a cigana Esmeralda. O ator Amilton Fernandes desempenhou o papel de Fernando. A semelhança entre a sua amada e a cigana intrigou o galã e os telespectadores. No fim da trama, o mistério foi revelado e as gêmeas se encontraram em uma cena curta no fim da trama. Uma ousadia para as produções na época.
Ana Rosa e Amilton Fernandes em cena da novela
Alma Cigana.
Acervo da Associação Pró-TV – Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da Televisão Brasileira / Museu do Rádio e da Televisão Brasileira (MBRTV)