Gabriel Arruda
Foram muitos os carnavais de 1964. Nas ruas do centro da cidade o
Cordão da Bola Preta
completava 46 anos de tradição, descendo a avenida Treze de Maio em direção à Cinelândia. Naquele mesmo momento era fundado o bloco
Banda de Ipanema
, pelos integrantes do
Jornal do Pasquim
, Sérgio Cabral, Albino Pinheiro, Ziraldo e Jaguar.
As ruas da capital ficaram cheias de foliões cantando marchinhas como "A índia vai ter neném" e a "Marcha do remador". A mais tocada, no entanto, foi "Cabeleira do Zezé", que segundo o compositor João Roberto Kelly, foi inspirada nos cabelos dos meninos do
iê-iê-iê
que andavam fazendo o maior sucesso, os Beatles.
No carnaval que proibiu até o beijo na boca, alguns foliões, presos por delitos mais graves, tiveram sua liberação registrada pelas lentes dos fotógrafos do jornal
Última Hora.
Com a temática “Brasiliana”, "O maior baile de carnaval do mundo" aconteceu na segunda-feira, no Theatro Municipal, com mais de 10 mil foliões. Ary Barroso, que havia falecido na véspera, recebeu uma bela homenagem da multidão que cantou de pé e em uníssono o sucesso “Aquarela do Brasil”.
Nos desfiles das Escolas de samba - à época na avenida Presidente Vargas – a Portela levou o título com o enredo “O segundo casamento de Dom Pedro I” e com uso inusitado de violinos na composição de sua bateria. A segunda colocada, Acadêmicos do Salgueiro, chamou a atenção com suas alegorias sobre “Chico-rei”, personagem da tradição oral mineira.
Aquele início de fevereiro foi de muita celebração e não se imaginava a ressaca de vinte anos que viria dali a alguns dias.
Fotos do bloco Cordão da Bola Preta
. Autoria desconhecida. Rio de Janeiro, Carnaval de 1964. Arquivo Nacional