Serviçosdetelefonia:telefonistaseestaçõestelefônicas

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Rio Memórias

O primeiro telefone chegou ao Rio de Janeiro em 1877, e foi instalado no Palácio Imperial de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista. Era o ano seguinte à sua invenção, quando o imperador d. Pedro II, em visita à Filadélfia (EUA), encontrou-se com Graham Bell e manifestou seu interesse na novidade. As primeiras estações de telefonia do Rio de Janeiro foram implantadas logo depois, a partir de uma concessão que veio a se chamar Brazilian Telephone Company. Nos anos seguintes, outras empresas estiveram à frente daquele empreendimento, que a Light adquiriu em 1905, da Brasilianische Elektricitäts Gesellschaft. E desde o estabelecimento das primeiras centrais telefônicas, estabeleceu-se consenso, entre os homens brancos que comandavam as empresas, de que as mulheres eram ideais para a função: pelo tom de voz, por adaptarem-se melhor àquelas operações delicadas que exigiam concentração, capacidade de ajuste fino e por imporem mais respeito perante os usuários. Apesar destas visões antigas e, hoje, bastante antiquadas a respeito das funções das mulheres no mundo do trabalho, a função de telefonista foi uma das importantes conquistas de uma parcela da população feminina carioca. As duas fotografias referem-se às décadas iniciais daquelas atividades no Rio de Janeiro. Havia muitos modelos; nestas imagens, uma telefonista faz o papel de cliente/usuária, levando ao ouvido a extensão de recepção que estava conectada a um fio, enquanto fala junto à outra extensão de transmissão, fixada à caixa. Esse era um modelo de parede; havia os de mesa, também.

Mulher falando ao telefone em foto antiga em sepia.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga em sepia de uma mulher falando ao telefone. A mulher está de pé, com a mão direita segurando o fone de ouvido. Ela está vestindo um blusão branco com detalhes bordados e calças pretas. Ao seu lado, há um telefone fixo montado em uma coluna de madeira. No fundo, vemos uma parede com quadros e uma lâmpada suspensa. Na parte inferior direita da imagem, há uma inscrição que lê "N° 123 - Rio - Nov. 15 - 11".

[Companhia Telefônica Brasileira: Chamada telefônica] – 15/11/1911 – Fotógrafo não identificado

Imagem 1 de 2: [Companhia Telefônica Brasileira: Chamada telefônica] – 15/11/1911 – Fotógrafo não identificado

Nesta fotografia, vê-se o ambiente de trabalho das telefonistas; grandes galpões onde foram instalados os equipamentos que possibilitavam a conexão entre os usuários em cada ponta – o que era feito por aquelas valorosas profissionais.

Mulheres em uniforme aguardam e trabalham em uma antiga central telefônica.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia histórica em preto e branco de um ambiente interno, provavelmente de uma antiga central telefônica. À esquerda, vemos uma fila de mulheres de pé, vestindo uniformes brancos, que parecem estar aguardando para atender ao público. No centro e à direita, várias mulheres estão sentadas em mesas com teclados de telefone, realizando suas funções. As mulheres estão dispostas em fileiras, com algumas sentadas em cadeiras mais próximas à câmera e outras mais distantes. O teto é alto e coberto por vigas metálicas, com grandes janelas permitindo a entrada de luz natural. Na parte superior direita da imagem, está escrito "Company's property". No fundo, há uma série de mesas e equipamentos, sugerindo uma estrutura organizada e funcional.

[Companhia Telefônica Brasileira: Telefonistas] – Sem data – Augusto Malta

Uma imagem das telefonistas em plena atividade numa das estações da CTB no Rio de Janeiro, é bom exemplo de conquista das mulheres brancas cariocas, que buscavam oportunidades de trabalho, independência e ascensão profissional. Percebe-se aquilo que alguns historiadores denominam de ‘estética andrógina’, aproximando as mulheres do universo masculino; cabelos curtos e vestidos no estilo chemise, com corte simples e solto, sem mangas. É evidente a influência da estilista francesa Gabrielle ‘Coco’ Chanel. Observe-se ainda os sapatos, de bicos finos e saltos. Essas telefonistas eram as nossas mulheres modernas.

Quatro telefonistas em sala de operações, uniformes brancos, painel de controles.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de quatro telefonistas em uma sala de operações telefônica. Do lado esquerdo, há uma mulher de pé, usando um uniforme branco e fones de ouvido. Ela está olhando para a direita. À sua frente, três mulheres estão sentadas em cadeiras altas, também usando uniformes brancos e fones de ouvido. A mulher mais à direita está apontando para um painel de controles. Ao fundo, há uma grande estrutura de madeira com muitos botões e interruptores. Na parede à esquerda, há um ventilador pendurado. No canto superior direito da imagem, está o número "1319".

[Companhia Telefônica Brasileira: Telefonistas] – Sem data – Fotógrafo não identificado

As questões trabalhistas estiveram presentes durante toda a trajetória dessa profissão; não era fácil ficar por horas a fio atendendo aos clientes e operando as conexões. As telefonistas tinham direito a pausas para o descanso. Na fotografia podemos apreciar um destes ambientes, na estação telefônica do Flamengo.

Quarto de descanso para operadoras de telefone, 1921.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga em preto e branco de um quarto de descanso para operadoras de telefone, datada de fevereiro de 1921. Do lado esquerdo, há uma porta fechada. No centro, três mulheres sentadas em cadeiras de balanço estão conversando. À frente delas está uma mesa de madeira com um pano branco. À direita, mais duas mulheres estão sentadas em cadeiras de balanço, também conversando. Na parede à direita, há um quadro com moldura preta. O chão é revestido com azulejos azuis e brancos. No canto inferior esquerdo, há uma inscrição datada de 1921. No centro inferior, está escrito "JARDIM - OPERATORS REST ROOM FEB-1921". Abaixo, está escrito "1 COPY - BOX "K-4"" e "BOX 100" com o número 576.

Jardim – Operator's rest room – 11/02/1921 – Augusto Malta

Ao final dos anos 1920 a cidade dispunha de mais de trinta e cinco mil telefones e os serviços foram automatizados para as ligações locais. Os novos aparelhos traziam um ‘fone’ para escutar e falar, e um interessante dispositivo: um disco com dez furos sob os quais estavam impressos os números; um, dois, três... até o zero, no final. A chamada era realizada tirando o fone do gancho e trazendo-o ao ouvido, aguardando o sinal da linha e depois introduzindo o dedo indicador naqueles números e girando no sentido horário até o limite – uma alça metálica – e em seguida deixando o disco voltar por si até a posição de origem. Fazendo assim sucessivamente o número era ‘discado’; grande progresso! Aquele movimento provocava a emissão de pulsos elétricos que proporcionavam a ligação direta entre duas pessoas, tornando desnecessárias as centrais telefônicas operadas por telefonistas. Mas as ligações entre cidades, ‘interurbanas’, continuaram dependendo da intermediação das telefonistas. Em 1932, a empresa implantou o serviço radiotelefônico internacional. E aquele modelo de disco foi gradualmente substituído pelo telefone de teclas, a partir dos anos 1960. Em 1966, a Light concluiu a venda da CTB para o governo federal.

Página de jornal de 1928 sobre telefones automáticos em São Paulo, ilustração de telefone antigo.Descrição da imagem: A imagem é uma página de um jornal ou revista de 1928, contendo texto e uma ilustração de um telefone antigo. O texto está em português e fala sobre a introdução de telefones automáticos em São Paulo. A ilustração mostra um telefone de mesa com um disco rotativo para dialar números. O fundo é branco e o texto é preto.

Sino Azul. Companhia Telephonica Brasileira. Rio de Janeiro, ano I vol. I n. 1, jan. 1928, p. 9.

Embora nos arquivos históricos da Light predominem as imagens referentes às décadas iniciais de sua atuação no campo da telefonia, encontramos documentos mais recentes, como o que se segue, dos meados do século XX, onde é evidente na imagem das telefonistas – de seu equipamento e do ambiente de trabalho – que avançamos no tempo, com relação à tecnologia. Mesmo assim, fica evidente que as condições de trabalho eram essencialmente as mesmas. E aproveitamos esta oportunidade para lembrar que nas instituições e empresas, era comum haver um único número de telefone, que era atendido por uma ou mais telefonistas contratadas para operar as conexões. Esses equipamentos eram denominados PBX – Private Branch Exchange ou Troca de Ramais Privados. Ou seja: por muito tempo, os usuários do telefone continuaram convivendo com elas até a chegada dos atuais serviços automatizados e impessoais – que, às vezes, tendem a nos levar à loucura!

Mulheres trabalhando em estação telefônica, preto e branco.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma sala de telefonistas. A imagem mostra várias mulheres trabalhando em estações telefônicas. Do lado esquerdo, vemos uma série de interruptores e cabos conectados. À medida que nos movemos para a direita, vemos várias telefonistas concentradas em suas tarefas. Elas usam fones de ouvido e estão interagindo com equipamentos complexos. No fundo, há mais pessoas e equipamentos, sugerindo um ambiente de trabalho movimentado.

Companhia Telefônica Brasileira: telefonistas – sem data – fotógrafo não identificado

A CTB expandiu os serviços de telefonia, construindo novos edifícios em alguns bairros do Rio onde foram instaladas subestações. Além de sediarem os equipamentos e a equipe de telefonistas, cumpriam a importante função de proporcionar aos cidadãos que a elas se dirigissem a possibilidade de fazer uma ligação telefônica. Eram muitas as estações; na sequência de fotografias a seguir, vamos relembrar algumas delas: Praça Tiradentes, Flamengo, Ipanema, Vila Isabel e Botafogo.

Edifício histórico com inscrição "Companhia Telefônica", em preto e branco.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia histórica em preto e branco de um edifício com características arquitetônicas tradicionais. Do lado esquerdo, vemos um prédio menor com varandas e janelas abertas. No centro, há um grande edifício com três andares, destacando-se por sua fachada ornada com detalhes em relevo e balcões decorados. A inscrição "COMPANHIA TELEFONICA" está claramente visível na parte superior do edifício central. Na base do edifício, há uma entrada com uma carruagem de dois cavalos parada à frente. À direita, vemos mais um prédio com portas e janelas. No canto inferior direito, há uma menina caminhando perto de uma fonte. O texto na imagem menciona "RIO. Central Telephone Exchange building" e "P. Tiradentes Rio".

Na praça Tiradentes, a mais antiga das estações da CTB, reconstruída após o grande incêndio de 1906. – Sem data – Augusto Malta

Nesta fotografia, a estação telefônica Beira Mar, à rua Dois de Dezembro 63, no Flamengo. Hoje, ali funcionam um centro cultural e um museu, que já se chamou Museu do Telephone, Museu das Telecomunicações e agora é o MUSEHUM – Museu das Comunicações e Humanidades.

Prédios históricos em Beira Mar Exchange.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga de um prédio localizado em uma rua com calçadas de pedra. Do lado esquerdo, vemos uma série de edifícios históricos com janelas arqueadas e portas grandes. No centro, há um edifício mais alto com fachada clara e muitas janelas retangulares. À direita, há outro prédio com janelas maiores e uma entrada principal. O chão é de tijolos e há trilhos de bondes paralelos à rua. Na parte inferior da imagem, há texto vermelho que lê "Beira Mar Exchange" e "F.T. Beira-mar-Rio".

E. T. Beira-Mar. Rua Dois de Dezembro, Flamengo. – fevereiro de 1920 – Augusto Malta

Primeira instalação de Ipanema, a Estação Manual Sete, inaugurada em abril de 1919 no início da rua Barão da Torre; à direita e atrás do edifício está o morro do Cantagalo; à esquerda e ao fundo o maciço da Tijuca, do outro lado da lagoa Rodrigo de Freitas. Em junho de 1930 foi substituída pela nova estação automática à rua Visconde de Pirajá 54, onde funcionou o Oi Futuro Ipanema e hoje está instalado o Oito, um espaço de inovação e empreendedorismo para startups.

Edifício antigo com fachada regular, montanhas ao fundo, IPANEMA EXCHANGE BUILDING, FLB. 1920.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia antiga de um edifício com três andares, localizado em um cenário com montanhas ao fundo. A fachada principal apresenta janelas regulares, algumas abertas, e uma entrada principal com portões fechados. À frente do edifício há uma parede baixa de tijolos. No canto inferior direito, está escrito "IPANEMA EXCHANGE BUILDING" e "FLB. 1920". Na parte inferior da imagem, há uma marca "BOX 100" e "584".

Estação de Ipanema – fevereiro de 1920 – Augusto Malta

Edifício em construção na rua General Canabarro 432, no Maracanã, inaugurado em setembro de 1910.

Edifício em construção com trabalhadores e palmeira.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga em preto e branco mostrando um edifício em construção. Do lado esquerdo para a direita, vemos uma estrutura de madeira apoiada no edifício, que parece ser escoramento de construção. No centro, trabalhadores estão montados em uma plataforma elevada, realizando tarefas de construção. À direita, há uma árvore de palmeira alta. No primeiro plano, um carrinho puxado por um cavalo está parado, com uma pessoa de pé ao seu lado. O chão é coberto por vegetação. Na parte inferior direita, há uma inscrição que lê "No 42 Rio - June 20, 1910 Isabel Substation and Telephone Exchange".

[Companhia Telefônica Brasileira: ] – 20/06/1910 – Fotógrafo não identificado

A seguir, duas fotografias do edifício onde funcionou a subestação de Botafogo da CTB, denominada ‘Estação Sul’; hoje ocupado pelo Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro. Esta foto foi feita ainda durante sua construção, provavelmente em 1907. Havia um quiosque instalado à frente. A inauguração provisória da Estação Sul deu-se em 1908 à rua Voluntários da Pátria 20. Em janeiro de 1910, foi inaugurada a estação definitiva à Praia de Botafogo 480 (retratada nas imagens), com uma mesa de ligações para 800 linhas.

Edifício clássico com carruagem e barraca móvel.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga de uma construção com arquitetura clássica, possivelmente de meados do século XX. A imagem mostra um edifício com três andares, construído de tijolos, com janelas arqueadas e varandas decorativas no segundo andar. Na frente do edifício, há uma carruagem puxada por cavalos, com pessoas em pé ao redor. À direita, há uma barraca móvel com uma estrutura confeccionada em madeira e telhado coberto de telhas. No chão, o pavimento é de pedra. Na parte inferior da imagem, há uma etiqueta com texto manuscrito que lê "5 COPIES - BOX 'R'".

Botafogo Sub-station na Praia de Botafogo – Sem data – Augusto Malta

Nesta fotografia, a estação Sul em 1910, já sem o quiosque na frente.

Edifício histórico com fachada clássica e arquitetura simétrica.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia histórica de um edifício com arquitetura clássica. A imagem mostra uma fachada principal com três grandes janelas arqueadas no andar superior, cada uma com um balcão decorado com grades metálicas. As janelas são simétricas e estão dispostas em três fileiras horizontais. Abaixo delas, há três portas arqueadas, também simétricas, com uma entrada central mais destacada, onde duas pessoas estão paradas. À direita, há uma garagem fechada por grades metálicas. O edifício é construído com tijolos e pedras, apresentando detalhes ornamentais na parte superior. No primeiro plano, há uma calçada e algumas plantas ornamentais. Na esquerda, parte de outro edifício é visível. O céu está claro, e linhas elétricas cortam o horizonte.

[Subestação de Botafogo] – 1910 – Augusto Malta

Foi uma revolução. Mais uma, na verdade, depois da eletricidade e do gás. Com o passar dos anos e das décadas... ninguém mais conseguiu viver sem o telefone! Naqueles primeiros tempos, a publicidade cumpriu um papel crucial não apenas no sentido de convencer, mas também de informar, de conscientizar os cidadãos acerca da novidade e de suas possibilidades. Quando surgiu a possibilidade de se fazer ligações interurbanas, então, as campanhas foram intensas. Vejamos alguns exemplos de 1928.

Cartaz publicitário em preto e branco sobre telefonia interurbana.Descrição da imagem: A imagem é um cartaz publicitário em preto e branco. No centro, há uma ilustração de um homem segurando um telefone, com fumaça saindo dos fones. Ao redor dele, há um mapa detalhado de vias de comunicação, mostrando cidades e regiões importantes. Acima do mapa, está escrito "NÃO PERCA TEMPO TELEPHONE!" e abaixo, "DE QUALQUER LOGAR A QUALQUER HORA PEÇA INTERURBANO". Na parte inferior esquerda, há um logotipo da "Companhia Telefônica Brasileira" com um sino dentro de um círculo.

Anúncio da Companhia Telefônica para ligações interurbanas.

Neste anúncio, informações sobre a possibilidade de ligação entre três estados.

Ilustração em preto e branco de dois homens em uma mesa com documentos e flores.Descrição da imagem: A imagem é uma ilustração em preto e branco. Do lado esquerdo, vemos um homem sentado com costas voltadas para a câmera, vestindo um terno e gravata. Ele está em frente a uma mesa onde outro homem, também de costas para a câmera, está sentado. Este segundo homem está usando um terno e gravata e parece estar lendo documentos. A mesa tem um vaso de flores e alguns papéis. Ao fundo, há uma janela com cortinas fechadas e uma moldura decorativa. Abaixo da ilustração, há um texto em português falando sobre a importância do telefone em conferências comerciais. No fundo inferior, há um logotipo da "Companhia Telephônica Brasileira" com um telefone representado.

Luz – 1928 – p.27

Imagem 1 de 2: Luz – 1928 – p.27