RiodoPovo

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Maria Eduarda Queiroz

Não sei como criar uma representação que não seja visual sobre memórias. Ainda não pensei em uma forma de descrever as situações cotidianas que tenho vivido nos últimos tempos.

Afinal, onde cabe um sorriso no texto?

Todos os dias vejo os camelôs que vêm e vão fazendo seu trabalho e os artistas que chegam com poesias de temas recorrentes, eles resistem lutando contra o racismo, machismo e pela igualdade através de sua arte trazendo conhecimento para a viagem apesar de muitos não darem crédito ou atenção.

E onde guardamos os registros das histórias das vidas de pessoas que não recebem os holofotes?

Imagem 1- Madu Queiroz, acervo pessoal

Trem lotado com pessoas sentadas e de pé, iluminação quente.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia de um trem lotado. À esquerda, duas mulheres estão sentadas, uma segurando um celular e a outra com uma bolsa marrom. Ao centro, um homem de costas carrega uma caixa preta e uma sacola vermelha. Mais à direita, um homem de máscara azul e óculos escuros está de pé. No fundo, outras pessoas estão distribuídas pelo corredor do trem, alguns sentados e outros de pé. As luzes do teto são claras e o interior do trem tem um tom quente.

Mas venho trazer essas lembranças de tanta coisa que aprendo nas ruas do Rio de Janeiro.

Uma tarde de rolê pela famosa Selarón – escadaria no bairro da Lapa que se tornou além de ponto turístico um ponto de encontro do carioca- me trouxe o Bruno: cantor independente local, músico que toca diversos instrumentos, viajante e um pai apaixonado pela vida e pela arte. Nesse momento de conversa ao som de Djavan e Seu Jorge Bruno nos contou sobre várias experiências de sua vida como músico, histórias das suas viagens e sua maior motivação: o nascimento do seu filho. “Viajei muito, conheci vários países, curti bastante mas quando ele nasceu eu descobri o meu propósito.”

Ele nos deu motivação para continuar seguindo nossos talentos e que as coisas acontecem no seu tempo certo e o dia continuou incrível com duas moças dançando as músicas tocadas e contagiando a todos com a animação.

Imagem 2- Madu Queiroz, acervo pessoal

Duas pessoas dançam em um local colorido com parede vermelha e escadas decoradas.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia de duas pessoas dançando em um local colorido. A esquerda, há uma parede vermelha com mosaicos, enquanto à direita, há escadas decoradas com azulejos amarelos e verdes. Na parte inferior das escadas, há placas com imagens e textos. À esquerda, duas pessoas estão sentadas, observando a dança. No fundo, há uma construção branca com algumas pessoas em pé.

Esperando o trem após um dia de aula fiz uma amizade na estação do Maracanã, apesar de não saber nome ou idade é uma mulher que admiro muito.

Negra e periférica precisou assumir várias responsabilidades bem cedo, uma delas foi com a irmã. Contou: “Eu já tinha terminado a escola, mas aí ela parou, não quis fazer o ensino médio aí eu falei ‘Pra você continuar eu faço com você’, me matriculei e voltei pra motivar ela, não queria que ela deixasse de ter a oportunidade de conseguir uma profissão, então pra ela estudar eu fui junto.” Depois narrou seus anos como professora e atualmente é autônoma fazendo doces para festas. A irmã também encontrou algo que gostasse após a escola e seguiu carreira.

Pra mim foi difícil imaginar alguém fazendo esse esforço por outra pessoa, fiquei muito emocionada e pensativa sobre o quanto nós podemos fazer pra melhorar a vida do outro.

Preservo essas memórias trazendo comigo a inspiração que pessoas anônimas do dia a dia me fazem ter. Compartilhando oralmente suas memórias afetivas, artes e a motivação de estarem ali. Como disseram Marcelo Campos e Amanda Bonan: “Queremos ouvir o Rio dos trens, em vagões onde sempre cabem poetas”.

Memória também é esquecimento e o que fazemos pra que essas não sejam apagadas?

Imagem 3- Daniel Noé, @danielnoe.jpg

Pôr-do-sol com pessoa olhando para baixo, estrada e pedestres ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de um pôr-do-sol capturado através de uma lente circular, provavelmente de um celular. Do lado esquerdo, vemos uma pessoa com cabelos longos, vestindo uma camisa azul e uma mochila laranja. Ela está olhando para baixo, possivelmente para alguém abaixo dela. Ao fundo, há uma estrada com veículos em movimento e uma faixa de pedestres. À direita, vemos uma série de pessoas subindo e descendo as escadas. O céu está cheio de nuvens dispersas, e o sol está se pondo, dando um tom dourado à cena.

Outras memórias

Memória 1 de 4: Mestre Stalone - projeto Lutando por um futuro melhor