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Rio Memórias

O teu sal, ó mar, são lágrimas de dor.

Paulina Chiziane
Pintura do tráfico atlântico de escravos, mostrando mortos pendurados e navio carregando escravos.Descrição da imagem: A imagem é uma pintura que retrata o tráfico atlântico de escravos. Do lado esquerdo para o direito, vemos figuras humanas penduradas em cordas, representando os escravos mortos durante o transporte. No centro, há um navio com pessoas dentro dele, sugerindo a carga de escravos. Abaixo, há mais figuras humanas, também penduradas, representando outros mortos durante o trajeto. O fundo é amarelo, com traços pretos que parecem representar o céu e o mar. No centro, está escrito "ATLANTIC SLAVE TRADE" em letras grandes e negras.

Representação do tráfico de africanos escravizados no Rio de Janeiro. Pão de Açúcar aparece no topo da tela e, envoltos na moldura de madeira, corpos de africanos no que seria o interior de um navio.

Brasil Atlântico do Período Colonial

, Arjan Martins, 2014.

Toda a beleza de uma cidade à beira-mar, cercada por montanhas em tons de verde e azul, com praias de areia branca e rios que levam e trazem as águas do oceano para dentro e fora de si, não consegue apagar ou fazer esquecer que esse mar salgado foi cenário e protagonista em histórias de morte e de dor.

Relatório de embarques e desembarques em portos brasileiros e sul-sudeste.Descrição da imagem: A imagem apresenta um relatório sobre embarques e desembarques de pessoas em diferentes portos do Brasil e do Sudeste do Brasil. A disposição espacial é linear, com colunas verticais listando os principais portos de embarque e suas respectivas atividades. A tabela é dividida em duas partes: a primeira, marcada por um retângulo azul, contém dados sobre os portos do Brasil, enquanto a segunda, destacada por um retângulo laranja, apresenta informações sobre o Sudeste do Brasil. As cores variam entre azul, laranja e branco, com números e texto preenchendo cada célula.

Estimativa de africanos escravizados embarcados e desembarcados entre 1501 e 1866. Em destaque, o sudeste, região em que está localizado o maior porto de desembarque de africanos do mundo – o Valongo

Se o Brasil é o país que por mais tempo e em maior dimensão demográfica recebeu africanos e africanas escravizadas na história da diáspora, o Rio de Janeiro foi o maior porto escravista desta costa. Quando o Cais do Valongo, situado na zona portuária da cidade, foi reconhecido como Patrimônio Mundial, este dado consistiu no mais relevante argumento para sua titulação. Nesta cidade desembarcaram, por séculos, cativos de diferentes regiões africanas e, especialmente nas décadas iniciais do século XIX, com frequência e intensidade não vividas em outras partes do território brasileiro, ou mesmo de outros portos escravistas nas Américas.

Mapa ilustrado mostrando regiões de desembarque de escravos durante o tráfico.Descrição da imagem: A imagem é um mapa ilustrado que mostra regiões onde captivos foram desembarcados durante o período do tráfico de escravos. A disposição espacial começa pela América do Norte, com destaque para o Golfo do México e o Caribe, passando pela América Central e América do Sul até chegar à África. As regiões são marcadas por pontos vermelhos que representam diferentes números de captivos desembarcados. No canto inferior direito, há uma legenda que indica a quantidade de escravos em cada região, variando de 100 mil a 2 milhões.

No mapa acima, o Sudeste brasileiro aparece como uma das regiões que mais recebeu cativos (mais de 2 milhões), desde o início da colonização. Fonte: SlaveVoyages

Porto de chegada e local de início de um processo de doloroso renascimento, que também dava à luz a esta cidade, que surgia com todas suas africanidades, criadas a partir da situação de cativeiro e do contato com outras gentes de outras culturas nesta terra — indígenas, portugueses, imigrantes de tantos lados. O Rio Atlântico é marcado por este sofrimento, mas também pela criação, a afirmação resistente e resiliente de seus protagonistas.

Diagrama de árvore genealógica mostrando principais chacinas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.Descrição da imagem: A imagem é um diagrama de árvore genealógica representando "Principais chacinas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro". A disposição espacial vai da esquerda para a direita, começando com datas do início dos anos 90 até o final dos anos 20. As caixas azuis contêm os nomes das chacinas, como "Chacina do Salgueiro", "Chacina do Jacarezinho" e "Chacina da Maré". As linhas conectam essas caixas, indicando as relações entre as chacinas.

Lavagem do cais do Valongo, em homenagem à memória dos milhões de africanos escravizados. Julho de 2013. Fonte: Agência Brasil

Outras memórias

Memória 1 de 2: Rio: suas margens africanas