RevoltanoforteColigny

Davi Aroeira Kacowicz

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Davi Aroeira Kacowicz

Em novembro de 1555, a expedição colonizadora oficial da França aportou na baía de Guanabara, com ambições de expandir o domínio territorial francês. Porém, poucos meses depois, no dia 14 de fevereiro de 1556, uma conspiração estremeceu os planos da Coroa. O objetivo do motim era assassinar o comandante da missão, Nicolas Durand de Villegagnon.

Retrato de Nicolas Durand de Villegagnon (1510-1571), vice-almirante da França. S.d. Autor não identificado. Wikimedia Commons.

Retrato oval de Nicolas Durand de Villegagnon em armadura ornamentada.Descrição da imagem: A imagem é uma gravura em preto e branco. No centro, há um retrato oval de Nicolas Durand de Villegagnon, vice-almirante da França. Ele está vestindo uma armadura com detalhes ornamentais e um colar de corrente. Ao redor do retrato, há um ornamento circular formado por folhas e laços de fita.

Desde sua chegada ao Rio de Janeiro, Villegagnon exigiu que os colonos trabalhassem arduamente na construção de uma fortaleza — o forte Coligny. As condições de trabalho geraram uma insatisfação generalizada entre os subalternos. Mas não foi só isso que revoltou os colonos: o vice-almirante da França proibiu os encontros sexuais entre seus homens e as nativas. A castidade só poderia ser rompida com o batizado das indígenas e selado pelo casamento sob os votos da Igreja Católica. A sentença para o descumprimento da norma: a forca.

Gravura em preto e branco de uma ilha com construções e figuras humanas.Descrição da imagem: A imagem é uma gravura em preto e branco. Mostra uma ilha com várias construções e figuras humanas. Do lado esquerdo, há uma grande rocha com vegetação. No centro, há uma fortificação com um edifício à frente. À direita, há uma pequena casa e mais rochas. Ao fundo, há um navio. Na parte inferior, vários barcos estão navegando. No canto superior esquerdo, está escrito "Riviere de Ganabara". No canto inferior direito, há um selo da Biblioteca Nacional da França.

Representação da ilha de Serigipe — chamada pelo autor de Ilha Henri — onde estava localizado o forte Coligny, sede da França Antártica. França, 1581. Gravura de André Thevet. Biblioteca Nacional da França

Além dos recém-chegados à baía de Guanabara, cerca de vinte outros gauleses — a maior parte náufragos de embarcações anteriores — viviam há tempos entre os tupinambás. Os chamados truchments serviam de mediadores entre seus compatriotas e os povos nativos. Franceses de nascimento, esses homens permaneciam como súditos da Coroa e, por desdobramento, estavam sob autoridade do vice-almirante da França. Àquela altura, entretanto, eram mais afeitos aos hábitos adquiridos no novo continente do que à rigidez militar francesa e aos dogmas do catolicismo. Subitamente ameaçados de morte caso não convertessem suas esposas, batizassem seus filhos, abandonassem a poligamia e oficializassem a união matrimonial com a bênção da Igreja, os truchments protagonizaram um levante contra Villegagnon.

Decidiram por um ataque surpresa e contavam com apoio de um membro da guarda pessoal do comandante — o que seria fundamental para execução do atentado. Porém, esse mudou de ideia, e a trama foi sufocada. Ao final, apenas um dos envolvidos foi enforcado e outro preso. A maior parte dos truchments conseguiu escapar de volta às suas tabas e não foram perseguidos. Villegagnon perdoou os demais rebelados, pois, segundo ele, “se quisesse castigar com suplício a todos que estavam envolvidos na intentona, não sobrariam bastantes para terminar a obra que empreendemos”.

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