RevoltadoBonde

Tempo de leitura 2 min

Danilo Araujo Marques

No Rio de Janeiro de 1956, o bonde era o meio usado por grande parte da população para se locomover pela cidade, uma opção sobre trilhos boa e barata. Até o dia em que o prefeito Negrão de Lima autorizou o aumento de 100% no valor das passagens, dando início a um levante popular. Mas a Revolta do Bonde não foi a primeira vez, nem seria a última, em que o direito ao transporte público levaria os nervos dos cariocas à flor da pele.

Greve dos estudantes contra o aumento da tarifa- 1956 - Fotógrafo não identificado. Fundo Correio da Manhã/Arquivo Nacional

Fotografia preto e branco de bonde antigo com pessoas e panfletos.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia preto e branco de um bonde antigo. Do lado esquerdo, vemos duas pessoas de pé, uma delas com uma camisa branca e gravata listrada. O bonde, centralizado na imagem, exibe placas com textos em português. Na parte superior, há uma placa com "M. RANTES-E-FERRO" e o número "24". Na lateral do bonde, dois panfletos são fixados nas janelas traseiras. Um diz "100% PARA A LIGHT E ROUBO! C.A.C.O." e o outro "SO CONHECEMOS A FORÇA DO DIREITO E NAO O DIREITO DA FORÇA". No centro do bonde, uma placa com "1919" está visível. À direita, há um anúncio de "VINHO Raposa" com imagens de garrafas.

O reajuste da tarifa foi anunciado em uma terça-feira, 29 de maio. As conduções lotadas de passageiros indignados criaram o ambiente perfeito para espalhar a notícia de que, no dia seguinte, haveria uma manifestação contra o aumento da passagem.

Estudantes em greve – 1956- Fotógrafo não identificado. Fundo Correio da Manhã/Arquivo Nacional

Multidão em fileiras em bonde, PR. GEN. LISORIO ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma multidão sentada em um bonde. A imagem mostra pessoas sentadas em fileiras, ocupando o chão e parte dos bancos do bonde. À esquerda, alguns indivíduos estão de pé, enquanto à direita, outros estão sentados em fileiras mais altas. No fundo, há uma placa com o nome "PR. GEN. LISORIO".

Sob a batuta da União Nacional dos Estudantes (UNE), universitários e secundaristas paralisaram pontos estratégicos da malha viária. Na esquina das avenidas Passos e Presidente Vargas, os estudantes colocaram um piano sobre os trilhos e dançaram ao som de paródias como “Senhor Negrão/Eu vou chamá-lo de tubarão/A um cruzeiro eu pago o bonde/A dois não pago não”.

Estudantes protestam contra o aumento da tarifa dos bondes – 1956 - Fotógrafo não identificado. Fundo Correio da Manhã/Arquivo Nacional

Manifestação noturna com bonde e cartazes.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de um evento noturno. Na parte superior, há um bonde com a placa "General Polidoro". Pessoas estão em torno do bonde, alguns segurando cartazes. No centro, um homem levanta um cartaz que lê "G-500 Cm 200". A multidão está em pé, observando o bonde.

No Largo do Machado, uma mesa de xadrez impedia a passagem do bonde, enquanto um torneio de pingue-pongue animava o largo de São Francisco. Tudo ao som de uma charanga que circulava pelos focos de interdição. Um caixão foi colocado em frente ao prédio da UNE, na praia do Flamengo, em ato simulando o enterro do prefeito.

Evento público com pessoas observando objetos em mesa, bonde ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de um evento público. À esquerda, vemos pessoas observando atentamente uma mesa com objetos sobre ela. No centro, dois homens estão interagindo com os itens na mesa. À direita, um homem em terno preto está olhando para a mesa. Ao fundo, há um bonde com a placa "LAPA-PRACA 11" e o número "35" acima. A cena parece estar ocorrendo em um local urbano, possivelmente durante o dia, dado o ambiente claro.

Manifestantes jogam xadrez na linha dos bondes

– 1956 - Fotógrafo não identificado. Fundo Correio da Manhã/Arquivo Nacional

Após as 18h, o número de manifestantes aumentou. E a repressão também. Tropas da Polícia Militar foram enviadas para restabelecer a ordem na base de cassetetes. O confronto foi tão intenso, que o presidente Juscelino Kubitschek voltou às pressas de Belo Horizonte para acalmar os ânimos. No dia seguinte, enquanto os protestos se alastravam por outras capitais do país, JK recebeu líderes estudantis no Palácio do Catete. Após negociação, o aumento da passagem caiu pela metade.

Outras memórias

Memória 1 de 4: Golpes militares na República Nova