RevoltadaArmada

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Júlia Kern Castro

A Revolta da Armada foi um levante da Marinha brasileira ocorrido em duas fases, entre 1891 e 1894, no Rio de Janeiro. Já nos primeiros anos da República, eclodiu o primeiro movimento, contra a presidência do marechal Deodoro da Fonseca. Sem conseguir negociar com as bancadas dos estados, principalmente, com os cafeicultores paulistas, ele fechou o Congresso Nacional. A Armada, nome dado à Marinha na época, revoltou-se e prometeu atacar a capital federal. Para não enfrentar a provável derrota em uma guerra, Deodoro renunciou em 23 de novembro, dando fim à Primeira Revolta da Armada.

Tropa legalista demonstrando manuseio de canhão em 1893.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia histórica em preto e branco, datada de 1893, mostrando uma tropa legalista demonstrando o manuseio de um canhão. A imagem está dividida em duas partes principais: o canhão e os soldados ao redor dele. Do lado esquerdo, vemos dois homens segurando cordas que estão conectadas ao canhão. Ao centro, há um grande canhão de artilharia, posicionado sobre uma base metálica. À direita, outros soldados observam atentamente o canhão. No fundo, um grupo de homens em uniformes militares está de pé, assistindo à demonstração. A cena está cercada por sacos de areia, possivelmente usados para proteger a área durante os exercícios.

Tropa legalista demonstra manuseio de canhão – 1893 – Marc Ferrez. Coleção Gilberto Ferrez/Instituto Moreira Sales

O vice Floriano Peixoto assumiu e deveria convocar eleições em um prazo de dois anos. Entretanto, isso não ocorreu. Custódio de Melo, contra-almirante e futuro candidato à Presidência, opôs-se à nova situação, e figuras associadas à monarquia, como o almirante Saldanha da Gama, juntaram-se ao movimento contra Floriano.

Saldanha da Gama, almirante que se uniu ao movimento contra Floriano, é homenageado na canção Saldanha da Gama- Campos, 1902

Além das denúncias contra a política florianista, que não pacificou as rivalidades regionais, os oficiais da Marinha se sentiam desprestigiados diante do Exército – instituição de origem dos dois primeiros presidentes, Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Teve início, então, a Segunda Revolta da Armada.

Grupo militar perto de canhão em terreno arenoso.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga em preto e branco. Na imagem, vemos um grupo de pessoas em uniformes militares em pé perto de um grande canhão. A cena está localizada em um terreno com vegetação densa ao fundo. À direita, há sacos de areia empilhados, possivelmente para proteger o canhão. No centro, o canhão está montado em uma plataforma de madeira com rodas grandes. À esquerda, três homens estão de costas para a câmera, enquanto dois outros estão de frente, olhando para o canhão. O chão é arenoso e deserto. No canto inferior da imagem, há uma inscrição que lê "Bateria de S. Paulo - Fortaleza de S. João".

Revolta da armada - Bateria III de São Paulo - Fortaleza de São João.

Juan Gutierrez - 1893 circa - Instituto Moreira Salles/Biblioteca Nacional.

Em 13 de setembro, começaram os bombardeios aos fortes do litoral fluminense em poder do Exército. A frota era formada por 16 embarcações da Marinha de Guerra e 14 navios civis, confiscados de empresas brasileiras e estrangeiras para apoiar as forças rebeldes. Embora fossem maioria na Marinha, os revoltosos não tinham apoio popular e enfrentavam forte oposição no Exército, com a adesão de milhares de jovens voluntários a batalhões de apoio ao presidente.

Restos de edifício danificado, pessoas fotografando, escombros.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco mostrando os restos de um edifício danificado. Do lado esquerdo, vemos uma construção parcialmente destruída com paredes quebradas e telhado desmoronado. À frente, há pessoas sentadas e de pé, algumas segurando equipamentos fotográficos. No centro, mais pessoas estão reunidas em torno de um monte de escombros. À direita, o edifício continua em ruínas, com destroços espalhados pela área. No fundo, vemos uma estrutura ainda mais danificada. Na parte inferior da imagem, está escrito "RUINAS DE VILLEGAGNON" e "J. GUTIERREZ A.de G.DIAS".

Ruínas do Forte de Villegagnon após a Revolta da Armada. Juan Gutierrez - 1893-1895 - Fundação Biblioteca Nacional

O governo sufocou as duas revoltas com o apoio da população, resultando na consolidação da República e no fortalecimento de Floriano Peixoto como liderança política, o que lhe valeu o codinome de “Marechal de Ferro”.

Outras memórias

Memória 1 de 4: Os golpes militares de uma República titubeante