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Rio Memórias

Na Aliança - uma das mais importantes fábricas têxteis da capital federal entre o fim do século XIX e início do XX - o corpo de funcionários era heterogêneo, assim como na maioria das fábricas cariocas. Em 1882, por exemplo, dos cerca de 174 funcionários, 35 eram mulheres adultas e 41 eram crianças.

Edifício clássico e fábrica em cidade histórica.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia histórica em preto e branco de uma cidade. Do lado esquerdo, vemos um edifício com arquitetura clássica, possivelmente um palácio ou um edifício público, com uma torre central e um relógio. À frente dele, há uma escadaria que leva à entrada principal. Ao fundo, há uma colina coberta por vegetação densa. A direita, vemos uma fábrica com uma chaminé alta em plena operação, emitindo fumaça. Entre os dois edifícios, há várias casas e construções menores, formando o centro da cidade.

Muitos trabalhadores moravam na vila operária que ficava próxima à fábrica, na rua Cardoso Júnior. Este fato contribuiu para o surgimento de relações de solidariedade entre os vizinhos de casa e colegas de trabalho. Isso podia ser observado inclusive entre as mulheres, que sofriam com o ambiente machista do mundo fabril e com o descrédito sobre sua produtividade. Além disso, as mulheres precisavam lutar por sua permanência na vila, já que os patrões, muitas vezes, adotavam medidas arbitrárias de despejo.

Explodiam situações de tensão, principalmente entre mulheres e crianças - que recebiam salários menores - e os administradores de setores, mestres e contramestres. Em 1903, operários da Aliança aderiram ao movimento que se tornaria uma greve geral, com trabalhadores de outras fábricas de tecidos e de outros setores fabris. O motivo disparador para a adesão foi a demissão sumária da operária Ludovica pelo mestre de teares Ferreira da Silva, que teria assediado a mulher e a engravidado. Ao saber da gestação, o mestre demitiu Ludovica, causando comoção em todo o corpo de operários, que ameaçaram parar os trabalhos se a funcionária não fosse readmitida.

Essa situação, que mobilizou os homens da fábrica, está atrelada à ideia de defesa da moralidade e honra das mulheres, típicas do pensamento masculino da época. Exploradas duplamente - por sua condição de operárias e de mulheres - as trabalhadoras recorriam a vínculos de proteção com homens, para que pudessem ter suas reivindicações atendidas.

Grupo de pessoas em auditório, sentados em fileiras, focados em apresentação.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia preto e branco de um grande grupo de pessoas reunidas em um local interno, possivelmente uma sala de conferências ou auditório. A disposição espacial é vertical, com as pessoas sentadas em fileiras, ocupando o espaço do primeiro plano ao fundo. À esquerda, há uma figura de pé, vestindo um terno clássico, enquanto o restante do grupo está sentado, alguns em cadeiras e outros em bancos. Todos parecem estar concentrados em algo fora da imagem, possivelmente em uma apresentação ou palestra.

Elisa Gonçalves, operária da Fábrica Aliança, durante assembleia dos tecelões. Fonte: Jornal do Brasil, 25 out. 1917. Hemeroteca Digital

A imprensa operária - ferramenta tão importante para a luta dos trabalhadores - não fazia ecoar a voz das trabalhadoras e, muitas vezes, era responsável por disseminar a desvalorização do trabalho de mulheres e crianças.

Outras memórias

Memória 1 de 4: A situação das mulheres no mundo fabril