Primaveradesangue

Tempo de leitura 2 min

Helena Gomes

Em setembro de 1909, como de costume, os jovens integrantes das escolas superiores do Rio de Janeiro celebravam o início da primavera. Estudantes de muitas capitais latino-americanas costumavam sair às ruas festejando a nova estação. Mas, no dia 22 de setembro daquele ano, a festa na rua deu lugar ao figurado cortejo fúnebre do comandante Souza Aguiar.

O protesto representava o enterro político do general, seguindo a expressão comum à época “morrer por ridículo”. Pelas ruas do Centro, os estudantes carregaram um caixão com a frase “Morreu o general Souza Aguiar”. A provocação veio em resposta à violência com que o comandante geral da Força Policial do Distrito Federal tinha reagido às passeatas precedentes, principalmente, a do dia anterior, na qual os estudantes tentaram parar um veículo da Força Policial.

Jornal O Paiz, Rio de janeiro, n. 9120, p. 1, 23 de set. 1909. Hemeroteca Digital – Biblioteca Nacional

Jornal antigo sobre o incidente "Covardia Assassina" em 1909.Descrição da imagem: A imagem é um jornal antigo em preto e branco. No topo, está escrito "RIO DE JANEIRO, QUINTA-FEIRA, 23 DE SETEMBRO DE 1909". Abaixo, em letras maiores, lê-se "COVARDIA ASSASSINA". A seguir, há uma lista de itens relacionados ao evento, como "Antecedentes", "O polícia civil", "O conflito", "Um presentimento", "No palacio do Caffete", "No ministerio da justicia", "O comando da força", "Volta do Caffete", "Sessão cívica", "Trasladação dos corpos", "Autopsia", "Os funerais", "Inquerito na polícia", "Declarações dos accusados", "Os mortos", "Os feridos", "Camara ardente" e "Outras notas".

O cortejo seguiu até o largo de São Francisco de Paula, onde foi surpreendido e atacado por indivíduos à paisana, ligados à polícia. Dois estudantes foram mortos, e vários outros feridos nas escadarias da Escola Politécnica, o que causou comoção em parte da população fluminense. Na repercussão do caso, uma divisão se formou. De um lado, estavam os civis, os estudantes e seus apoiadores; de outro, os militares e simpatizantes da força legalista.

Jornal O Paiz, Rio de janeiro, n. 9120, p. 1, 23 de set. 1909. Hemeroteca Digital – Biblioteca Nacional

Duas pessoas deitadas, ambas em preto e branco.Descrição da imagem: A imagem apresenta duas fotografias lado a lado, ambas em preto e branco. A primeira foto, à esquerda, mostra um indivíduo deitado, coberto parcialmente por um lençol ou manta. A segunda foto, à direita, retrata outra pessoa também deitada, com o rosto voltado para cima. Ambas as imagens parecem ter sido tiradas em locais internos, possivelmente em ambientes residenciais ou hospitalares.

O contexto político brasileiro no ano de 1909 foi marcado pela disputa de poder entre militaristas e civilistas, representados, respectivamente, pelo marechal Hermes da Fonseca e Rui Barbosa, candidatos nas eleições presidenciais de 1910. A tensão entre os dois grupos reverberou durante a campanha eleitoral, até mesmo após a sentença em relação aos militares acusados pelas mortes dos estudantes.

Cartão-postal com fundo vermelho, símbolos e texto sobre escolha de brasões.Descrição da imagem: A imagem é um cartão-postal com fundo vermelho. No centro, há dois escudos azuis com símbolos diferentes. À esquerda, um escudo contém uma abertura de livro com a palavra "LEX" escrita em letras maiúsculas, e duas penas cruzadas. À direita, outro escudo apresenta uma espada e um capacete de cavalaria. Acima dos escudos, está escrito "ESCOLHA O POVO!!" em letras brancas. Abaixo dos escudos, está escrito "UM OU OUTRO destes brasões será colocado a 18 de Março na fachada do Caldeirão".

Brasão da propaganda eleitoral Rui Barbosa ou a Revolução.

Coleção Digital Campanha Civilista. Documento textual de arquivo

Fundo Rui Barbosa, Série Miscelânia Panfletos

O julgamento foi marcado por intimidações aos jurados e testemunhas, por parte do Exército, e finalizado com a condenação dos réus, entre eles, o sobrinho de Souza Aguiar, João Aurélio Lins Wanderley.

Outras memórias

Memória 1 de 4: Os golpes militares de uma República titubeante