PrataPreta

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Rio Memórias

Durante os conflitos na Revolta da Vacina, bairros do Rio viraram trincheiras de guerra e, ao fim de seis dias, entre as 461 pessoas que foram presas e deportadas, estava um dos mais temidos líderes populares da revolta, o capoeirista Prata Preta.

Prata Preta era o apelido de Horácio José da Silva que, além de capoeira, era estivador. Homem negro, com cerca de 30 anos, liderou as batalhas contra as tropas do Exército no que ficou conhecido como “Porto Artur do bairro da Saúde”, em alusão ao território em disputa na guerra russo-japonesa, ocorrida também em 1904.

Retrato de Prata Preta na revista Avenida. Imagem retirada do site Capoeira History

Homem com chapéu, expressão séria, olhando direto.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia preto e branco de um homem. Ele está usando um chapéu de aba larga, com a ponta voltada para trás. Sua expressão facial é séria, com os olhos olhando diretamente para frente. O homem está vestindo um casaco com um colarinho alto e uma camisa de pano fino. A imagem parece ter sido tirada em um ambiente interno, com luz suave iluminando o rosto do homem.

As trincheiras da Saúde foram as últimas a serem abatidas. Ali constava haver dinamites e um canhão para impedir o avanço das tropas militares, mas, quando os revoltosos foram rendidos, descobriu-se que os materiais bélicos não passavam de um engodo: as tais dinamites eram pedaços de madeira enrolados em papel prateado, pendurados em volta das trincheiras. O canhão, na verdade, era um dos muitos postes de iluminação derrubados pela população revoltada, em cima de duas rodas de carroça. De longe assustava, mas era incapaz de disparar um tiro sequer!

Caricatura de Prata Preta na revista O Malho. Wikimedia Commons

Gravura caricatura equilibrando-se em corda, com texto sobre saúde e prata pretã.Descrição da imagem: A imagem é uma gravura em preto e branco. No centro, há um personagem caricaturado com cabelos crespos e bigode, vestindo roupas antigas. Ele está equilibrando-se em uma corda, com os braços estendidos para os lados. Ao fundo, vemos uma casa simples com telhado inclinado e uma árvore grande à esquerda. Na parte inferior da imagem, há um texto em português que lê: "O Porto Artur da Saúde e Prata Preta, ridicularizados por O Malho."

A submissão do Porto Artur da Saúde se deu em 16 de novembro. No mesmo dia, antes do ataque empreendido pelo Exército e pela Marinha, Prata Preta foi preso em uma emboscada policial. Com sua fama de homem valente, combatia nos lugares mais perigosos das trincheiras e, mesmo na luta final antes de ser capturado, foi acusado de matar um soldado do Exército e ferir dois da Polícia. A essa altura, as atenções estavam voltadas para o que foi “o último reduto do anarquismo”, de acordo com O Paiz. Após decreto de estado de sítio, as barricadas da Saúde – que ocupavam toda a rua da Harmonia – foram atacadas: o Exército avançou por terra, e a Marinha, com o couraçado Deodoro, submeteu os revoltosos pelo mar.

Conforme as tropas avançavam, as trincheiras comandadas por Prata Preta foram abandonadas, e muitos homens foram presos. Sobre o paradeiro de Prata Preta, que enganou as tropas militares com seus “materiais bélicos” improvisados, quase nada se sabe após sua captura e deportação para o Acre.

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