PasseatadosCemMil

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Pauliane de Carvalho Braga

As violências cometidas pela Polícia Militar contra a população do Rio de Janeiro, no dia 21 de junho de 1968, no que ficou conhecido como Sexta-feira Sangrenta, não seriam esquecidas pelos moradores da cidade. Diferentes setores da sociedade se organizaram para mostrar que não tolerariam tais arbitrariedades e o fizeram por meio de uma grande manifestação pacífica.

Os mais diferentes setores da sociedade marchavam juntos, de braços dados – 26/06/1968. Fundo Correio da Manhã/Arquivo Nacional.

Passeata em preto e branco com folhas espalhadas.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma passeata. No primeiro plano, vemos um grupo de pessoas caminhando juntas, alguns de pé e outros andando. À frente, há um homem em terno com um lenço branco. À sua direita, uma faixa branca com letras pretas é segurada por alguém. Ao fundo, mais pessoas estão presentes, algumas parecendo estar conversando. O chão está coberto de folhas de papel espalhadas.

A costura política começou com a pressão de intelectuais e artistas, para que o governador do estado da Guanabara, Negrão de Lima, autorizasse a passeata e garantisse a não interferência da polícia. Dado o aval, estudantes, religiosos, professores e mães seguiram com a organização da passeata, programada para o dia 26 de junho.

No dia marcado, ainda pela manhã, centenas de pessoas se reuniram nas escadarias da Assembleia Legislativa. Esperançosos, levavam cartazes com diferentes palavras de ordem. Vladimir Palmeira, um dos líderes estudantis mais importantes do período, foi o mestre-sala do ato. Durante a concentração, na Cinelândia, seus discursos foram ovacionados; professores, bancários e padres também foram ouvidos. Dona Irene Papi, uma das oradoras, emocionou os presentes: “Falo em nome de todas as mães que viram seus filhos serem massacrados”.

Vladimir Palmeira, um dos principais líderes estudantis do período, discursando durante a passeata. Arquivo O Globo.

Manifestação em preto e branco com multidão密集 e homens em ternos discursando.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma grande manifestação. Do lado esquerdo, dois homens em ternos estão sobre a cabeça da multidão, aparentemente discursando. A multidão está密集mente reunida, ocupando toda a extensão da imagem. No fundo, há um edifício com arquitetura clássica, possivelmente um palácio ou um teatro. As pessoas seguem uma disposição horizontal, com alguns levantando bandeiras.

Por volta das 14h, a passeata, que já reunia mais de cem mil pessoas, partiu rumo à Candelária. Organizados por alas, iam na frente os artistas – Chico Buarque, Paulo Autran e Clarice Lispector marchavam de braços dados. Em seguida, os religiosos, deputados, estudantes e muitos mais. Das janelas dos edifícios, chovia papel picado. A frase de ordem do dia foi “Abaixo a Ditadura”, embora houvesse divergência quanto ao modo de a derrubar. Apesar das críticas ao governo ditatorial, o ato terminou na praça Tiradentes sem registrar um confronto.

A Passeata dos Cem Mil foi uma das maiores manifestações públicas de repúdio à Ditadura Militar. Fundo Correio da Manhã/Arquivo Nacional.

Passeata em preto e branco com multidão segurando bandeiras e cartazes.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia preto e branco de uma grande passeata. À esquerda, vemos um edifício com arquitetura clássica, enquanto à direita, há uma multidão密集拥挤的人群, segurando bandeiras e cartazes. Os cartazes contêm textos em português, embora não sejam totalmente legíveis. A multidão parece estar caminhando em direção à esquerda da imagem, ocupando todo o espaço disponível.

Dias depois, o presidente Costa e Silva recebeu uma comissão de representantes escolhidos durante a manifestação. As reivindicações apresentadas, como a libertação dos estudantes presos e a concessão de mais verbas para as universidades, no entanto, foram descartadas. A Passeata dos Cem Mil seria a última grande manifestação daqueles anos.

Outras memórias

Memória 1 de 4: O golpe que instaurou a ditadura civil-militar