PalácioMonroe

Tempo de leitura 3 min

Rio Memórias

Palácio neoclássico com torre e ônibus antigo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia histórica em preto e branco de um palácio majestoso. Do lado esquerdo, vemos uma coluna com cúpula decorativa. No centro, o edifício principal apresenta arquitetura neoclássica com detalhes ornamentais e um telhado curvo. À direita, há uma torre com cúpula e elementos arquitetônicos finamente trabalhados. Na frente do palácio, há árvores verdes e um ônibus antigo com várias pessoas dentro. O ônibus está no primeiro plano, enquanto o palácio ocupa o fundo da imagem.

Palácio Monroe. Augusto Malta, c.1920. Acervo Light

Impossível resumir a história do Palácio Monroe em poucas linhas. Sua existência foi, sob muitos aspectos, extraordinária. A começar pelo nascimento. Sua gênese, afinal, foi a imponente e sofisticada estrutura em aço que o Brasil apresentou na Exposição Universal de Saint Louis, em Missouri, nos Estados Unidos, em 1904, e que ganhou o Prêmio Mundial de Arquitetura. Era a primeira vez que um trabalho arquitetônico brasileiro recebia um reconhecimento internacional de tanto vulto.

Gravura preto e branco de palácio com torre e bandeira.Descrição da imagem: A imagem é uma gravura preto e branco de um palácio. Do lado esquerdo, vemos uma estrutura com colunas e um telhado curvo. No centro, o edifício principal é majestoso, com detalhes arquitetônicos elaborados, incluindo janelas redondas e um telhado pontiagudo. À direita, há uma torre com um pequeno telhado. No topo do palácio, uma bandeira flutua. O texto na imagem lê "Exposição Universal de S. Luiz" e "O Pavilhão do Brasil".

Marinho, P.; A. Editora. Exposição Universal de S. Luiz : o pavilhão do Brasil, 1904?. Missouri, Estados Unidos / Acervo FBN

Essa estrutura metálica foi toda desmontada e trazida para o Rio de Janeiro, peça a peça. O Palácio de São Luiz, como era chamado, foi então remontado no fim da avenida Central, hoje avenida Rio Branco, o ponto mais nobre da cidade na época. A inauguração foi concomitante à abertura da 3ª Conferência Pan-Americana, em 1906, à qual serviu de sede. Sua suntuosidade e beleza ganharam o centro das atenções. Por sugestão de Joaquim Nabuco, teve o nome substituído para Palácio Monroe, numa homenagem ao presidente americano James Monroe. Sua fachada em estilo eclético compunha um conjunto arquitetônico com o Teatro Municipal, a Biblioteca Nacional e a Escola de Belas Artes (hoje Museu Nacional de Belas Artes), formando o quadrilátero da Cinelândia.

Nas décadas que se seguiram, o Palácio Monroe foi palco para algumas das mais importantes instâncias de poder do país. Abrigou a Câmara dos Deputados, o Senado Federal e o Tribunal Superior Eleitoral. Serviu como centro de convenções, salão de festas oficiais e espaço de velórios de personalidades da época. Também se consolidou como um dos principais cartões-postais do Rio de Janeiro. Estampava porcelanas, caixas de joias, tinteiros, souvenirs e papéis de carta. Ilustrou ainda a cédula de 200 réis, emitida em 1919.

Cartão-postal colorido de Rio de Janeiro, Palácio Monroe.Descrição da imagem: Esta imagem é um cartão-postal colorido de Rio de Janeiro, mostrando o Palácio Monroe. Do lado esquerdo, há uma grande lámpada de três braços com um pedestal decorativo. Ao centro, um obelisco alto e quadrangular está posicionado em frente ao palácio. O Palácio Monroe, com sua arquitetura neoclássica, ocupa o centro da imagem, destacando-se pela sua cúpula dourada e detalhes ornamentais. À direita, há mais uma lámpada similar à primeira, mas menor. No fundo, vemos uma área verde com árvores e uma construção mais simples ao fundo. O céu é azul com algumas nuvens brancas.

Palácio Monroe e Obelisco Comemorativo pela conclusão da Avenida Central, atual Avenida Rio Branco (Título atribuído). Papelaria e Typographia Botelho. c.1915. Instituto Moreira Salles

Durante a ditadura brasileira, o Palácio Monroe passou a ser alvo de críticas. Foi um tempo, afinal, em que a busca pela ideia de progresso, com sua sanha modernizadora, poderia se impor — em geral, de forma autoritária, como praxe em governos militares — a valores históricos e artísticos. Os defensores de sua destruição alegavam que o edifício atrapalhava o trânsito e que ia contra as convenções estéticas da época. Reza a lenda que o próprio presidente Ernesto Geisel era um defensor da demolição do Palácio Monroe, o que de fato ocorreu, em 1976, para pesar de parte da população, num ato que é visto por muitos historiadores e urbanistas como um crime contra o patrimônio histórico e artístico e contra a memória afetiva dos cariocas.

Busto de Getúlio Vargas em frente a edifício em ruínas.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia em preto e branco. No primeiro plano, há um busto de Getúlio Vargas, posicionado centralmente. Ao fundo, está um edifício em ruínas, com destroços espalhados pela área. À esquerda, há uma árvore grande e uma lâmpada de rua. A disposição espacial vai do primeiro plano para o fundo, da esquerda para a direita.

Foto: Evandro Teixeira - Demolição do Palácio Monroe - 1975 - Agência Tyba

Hoje, o local é ocupado por um chafariz de onde não costuma jorrar água e por um estacionamento subterrâneo explorado por uma empresa privada. Quem passa por ali não vê qualquer vestígio do palácio que foi palco de tantos acontecimentos políticos. Sua história, porém, tem sido resgatada por narrativas como a do documentário Crônica da demolição, com roteiro e direção de Eduardo Ades.

Outras memórias

Memória 1 de 4: Jockey Club