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Rio Memórias

O Projeto Porto Maravilha deu continuidade a uma linha de urbanismo marcada pela perspectiva neoliberal, sob administração Eduardo Paes e com a vitória da cidade para sediar as Olimpíadas de 2016 e participação na Copa do Mundo de 2014. O grande sonho do prefeito era transformar a cidade num produto competitivo e, para isso, realizou ações desenvolvidas pela Secretaria de Ordem Pública, chamadas de “choques de ordem” que envolviam a “limpeza” do Rio de Janeiro. Houve repressão ao trabalho informal, recolhimento da população de rua, demolição de prédios que podiam se tornar ocupações e construção dos chamados “ecolimites” para evitar o crescimento das favelas. Com isso, a autoridade municipal se restabeleceu.

Imagem urbana em preto e branco, focando São Cristóvão e bairros ao redor.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia aérea em preto e branco de uma área urbana. À esquerda, vemos o bairro de São Cristóvão, com suas ruas e edifícios. Ao centro, destacam-se os bairros de Gamboa, Saúde, Providência e Pedra Lisa, marcados em amarelo. A direita, encontramos o bairro do Centro. No fundo, há áreas de especial interesse urbanístico da região do Porto, delimitadas por linhas azuis.

Delimitada no mapa pela linha branca, a área do Porto Maravilha equivale a quase um terço do centro da cidade (Imagem: Mariana Werneck, a partir de dados da Cdurp/IPP). Imagem retirada do site da Agência Pública

O crescimento do valor do solo urbano aumentou o processo de gentrificação, fazendo com que bairros populares que constituíam a Zona Portuária fossem foco de mudanças radicais por serem considerados áreas problemáticas e "indesejáveis". A partir daí, a Zona Portuária foi definida como prioritária para uma reformulação geral organizada por parcerias público-privadas que liberou os espaços com a retirada da avenida Perimetral para a especulação imobiliária. O Consórcio Porto Novo, formado por empresas ligadas à construção civil, foi responsável pelos ajustes necessários para realização das mudanças pretendidas através da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (CDURP).

Imagem industrial com fumaça e edifícios metálicos.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de um ambiente industrial. À esquerda, vemos uma série de estruturas metálicas, possivelmente plataformas ou pontes de acesso. No centro, há uma grande nuvem de fumaça ou vapor que se eleva do chão, criando um cenário dramático. À direita, há um edifício longo e baixo com muitas janelas, parecendo ser uma fábrica ou depósito. O céu está nublado, dando à imagem um tom sombrio.

Demolição do Elevado da Perimetral, em 2013. Imagem retirada do site do Museu do Amanhã

O projeto associado à Zona Portuária nos moldes de um loteamento com espaços renovados, policiamento, limpeza urbana e governo próprio, impactou o centro como um todo com a criação de bulevares, a circulação do VLT e sua integração ao metrô, a revitalização da avenida Rodrigues Alves, transformada em Boulevard Olímpico e integrando a Praça Mauá com a região da Rodoviária e com a Praça XV, via Orla Conde. Houve impactos também nas regiões do Caju e da avenida Brasil, assim como no Estácio.

Imagem urbana com edifícios, pedra e concreto, palmeiras e céu azul claro.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de um local urbano, possivelmente um centro histórico ou área de construção em andamento. À esquerda, há um edifício grande com muitas janelas e uma fachada clara. No centro, há uma estrutura de pedra e concreto, que parece estar em processo de reforma ou construção. À direita, há palmeiras altas e outros edifícios modernos. O céu está azul claro, indicando um dia ensolarado.

Durante as obras o Cais do Valongo - maior porto de receptação de escravizados das Américas - foi "redescoberto". Imagem em domínio público - Wikimedia Commons

A urbanização do Largo da Prainha, da rua Sacadura Cabral e da Praça da Harmonia impactaram o comércio da região. O estádio Mário Filho, o Maracanã, também foi envolvido e alterou sua forma, perdendo vários dos aspectos originais.

Outras memórias

Memória 1 de 4: Reformas urbanas e repressão espacial