Nayara Henriques
Inaugurado em 16 de fevereiro de 1963, o Gelorama de Ipanema foi a coqueluche do verão. O ringue de patinação no gelo foi construído na Casa de Nossa Senhora da Paz juntamente com um bar e uma pista de dança. O sucesso foi tanto que o Gelorama saiu no especial “Página de Verão” do Jornal do Brasil, em 26 de janeiro de 1964, como uma das principais atrações da cidade.
O objetivo do ringue, segundo Frei Leovigildo, presidente da Casa de Nossa Senhora da Paz, era levantar fundos para a construção de salões sociais com biblioteca, jogos e discoteca, além da construção de uma nova igreja. A paróquia queria se transformar num verdadeiro espaço de convivência da comunidade, a exemplo de muitas igrejas estadunidenses.
O Gelorama foi trazido de São Paulo e rapidamente se tornou uma opção nas noites quentes do Rio de Janeiro, pois contava, inclusive, com ar-condicionado. O que era uma opção de lazer se tornou também um centro esportivo, com aulas para adultos e crianças, além de apresentações artísticas, com funcionamento das 16h às 23h.
O subsolo do nº 351 da rua Visconde de Pirajá nunca mais foi o mesmo: todos queriam se sentir como Sonja Henie, patinadora artística e atriz norueguesa que fazia enorme sucesso à época, ou como Fred Astaire, dançarino e ator estadunidense que estava no auge da carreira. Nem os editoriais de moda escaparam da febre do
Gelorama
, lançando as tendências para se destacar nas noites de patinação.
"O mundo de Ipanema é complexo, estranho, sutil", escreveu o jornalista Carlos Leonam, "Uma estação de TV. A missa refrigerada de N. S. da Paz. O eterno chope do Zepelin. Patinação no gelo. O bondinho da Praça. A sauna. O bigode do Yllen Kerr. As pulgas do Pirajá [...] E muitas outras coisas que estão aquém e além da nossa vã filosofia, inclusive a ranzinzice de Rubem Braga".
Sem autoria.
Pista de gelo convoca as Sonja Henie cariocas
. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 20 de fevereiro de 1963, Caderno B, p. 6. [Edição 00043 (1)]. Acervo Biblioteca Nacional.