Norecreiodasescolas

Tempo de leitura 3 min

Rio Memórias

Pique-Bandeira

A brincadeira que chegou às ruas do Rio nos anos 1930 – e se popularizou nas décadas entre 1960 e 1980 – foi perdendo importância com o processo de urbanização da cidade e o aumento do tráfego de veículos. Patrimônio Cultural da Humanidade, o pique-bandeira faz parte do acervo cultural infanto-juvenil brasileiro.

Pique-bandeira – Gravura de Alcides Oliveira

Pintura de pique-bandeira em rua, Alcides Oliveira, 2020Descrição da imagem: A imagem é uma pintura que retrata um jogo de pique-bandeira em uma rua. Do lado esquerdo, há uma casa com duas janelas e uma árvore verde atrás dela. À direita, há mais uma árvore e um poste de luz. No centro, os jogadores estão em ação, correndo e se movendo pela rua. O texto "PIQUE BANDEIRA" está escrito em letras pretas no centro inferior da imagem. A autoria é de Alcides Oliveira, datada de 2020.

A origem do jogo se perde no tempo. Muitos acreditam que tenha sido inventado pelos escoteiros norte-americanos, chamado de Capture the Flag (‘capturar a bandeira’, em tradução livre do inglês). No Brasil, a prática remete às primeiras décadas do século XIX e vem da tradição portuguesa que, por sua vez, tem suas raízes na Itália renascentista, quando cidades da Toscana disputavam as bandeiras de outras regiões da península itálica.

O pique-bandeira começa com a divisão dos participantes em dois times, cada um em um lado do campo. Nas linhas de fundo, são fincadas as ‘bandeiras’ de cada grupo, que podem ser pedaços de pau ou chinelos. A meta é roubar o objeto adversário, sem deixar de proteger o seu, atravessando rapidamente o campo do time contrário. Se um participante for pego por um de seus adversários, ele fica ‘colado’ no mesmo local até ser liberado pelo toque de um companheiro de equipe. Enquanto parte do time se dedica à conquista da bandeira adversária, o restante fica responsável por defender a sua e vigiar os participantes colados. Ganha o time que conseguir atravessar a bandeira do outro time para o seu próprio campo.

Diz-se que a brincadeira seria uma preparação para escapar das turmas de ruas que eram rivais. O pique-bandeira fazia com que os participantes tivessem maior preparo para correr das turmas e da polícia. Era uma das poucas brincadeiras de rua na cidade em que homens e mulheres podiam brincar juntos.

Queimado

Queimado – Gravura de Alcides Oliveira

Gravura preto e branco de jogo de vôlei em 2020.Descrição da imagem: A imagem é uma gravura em preto e branco, representando um jogo de vôlei. Do lado esquerdo para a direita, vemos cinco pessoas em diferentes poses de movimento. Na parte inferior esquerda, há uma assinatura e a data "2020". No topo da imagem, está escrito "QUEIMADO". A disposição espacial mostra os jogadores distribuídos em linhas paralelas, sugerindo a linha de serviço do vôlei.

O queimado é uma brincadeira coletiva praticada por dois times, cujo objetivo é eliminar os adversários ‘queimando-os’ com a bola em qualquer parte do corpo. Também é eliminado quem pega a bola e a deixa cair. Nos dois casos, o jogador ‘queimado’ pode voltar à partida, se atingir um oponente. Vence o time que conseguir queimar o maior número de adversários.

O campo é dividido por uma linha central, e atrás da área de cada time fica o espaço reservado para os jogadores queimados. Em alguns lugares do Brasil, essa área é chamada de prisão, céu, cemitério, castigo ou base. Apesar de não haver torneio oficial no país, o esporte costuma estar presente em olimpíadas escolares e nos recreios.

Na cidade do Rio de Janeiro, a brincadeira começou nos colégios femininos durante a prática da educação física. Posteriormente, quando chegou às ruas, transformou-se e abriu espaço para a inclusão de participantes masculinos.

Outras memórias

Memória 1 de 4: Peteca