MotinscausadospelosuicídiodeGetúlioVargas

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Júlia Kern Castro

Em 25 de agosto de 1954, manifestantes ocupam as ruas da capital, destroem e incendeiam carros e exemplares dos jornais O Globo e Tribuna da Imprensa, veículos abertamente opositores ao governo de Vargas.

24 de Agosto - João Nogueira, 1989

O Brasil amanheceu no dia 24 de agosto de 1954, com a notícia do suicídio do presidente Getúlio Vargas, no programa de rádio “Repórter Esso”. O governo de Vargas enfrentava problemas políticos, com a organização da oposição e a falta de apoio de grupos que outrora estavam do seu lado, como as Forças Armadas e a imprensa. Ao se ver sem opções e se negando a renunciar, ele atirou contra o próprio peito.

Jornal em preto e branco sobre suicídio de Getúlio Vargas.Descrição da imagem: A imagem é um jornal em preto e branco. No topo, há um título grande em destaque que diz "MATOU-SE VARGAS!" e abaixo, em menor tamanho, "O PRESIDENTE CUMPRIU A PALAVRA: 'SÓ MORTO SAIREI DO CATETE!'" com uma citação em destaque. À esquerda, há uma foto em preto e branco de Getúlio Vargas. Abaixo do título principal, há um texto explicando que Vargas deixou uma mensagem antes de morrer. O jornal parece estar focado na notícia do suicídio de Getúlio Vargas e suas últimas palavras.

Primeira página do jornal varguista Última Hora, noticiando a morte de Getúlio Vargas.

Rio de Janeiro – 1954 -

Hemeroteca da Biblioteca Nacional/Acervo Última Hora.

No Rio de Janeiro, capital da República, o luto cedeu lugar à revolta. A multidão saiu da Galeria Cruzeiro, do largo da Carioca e do Tabuleiro da Baiana – famosos locais de manifestação política – e seguiu até a Cinelândia. Grupos mais exaltados atacaram as sedes e os carros de reportagem de periódicos de oposição a Vargas, como O Globo e Tribuna da Imprensa, de Carlos Lacerda. Alinhado à União Democrática Nacional (UDN), ele se refugiou na Embaixada dos Estados Unidos, o que levou os revoltosos a apedrejarem o local.

Cenário de motim com carros derrubados e multidão observando.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco mostrando um cenário de motim. Na parte inferior da imagem, dois carros estão derrubados sobre o chão, com pessoas se aglomerando ao redor. No fundo, uma multidão de pessoas observa a cena. A disposição espacial é assimétrica, com os carros no centro e a multidão distribuída em torno deles.

Em protesto, manifestantes quebraram veículos do jornal de oposição O Globo.

Fotógrafo desconhecido. Rio de Janeiro – 1954 - Agência O Globo

O corpo de Vargas foi velado no salão do Gabinete Militar até o dia seguinte, quando foi conduzido ao aeroporto Santos Dumont, de onde seguiu para o sepultamento em São Borja (RS), sua cidade natal. Quando o avião decolou, a multidão que se arrastava em cortejo desde a orla da praia do Flamengo percebeu estar em frente ao quartel-general da Aeronáutica – a primeira e mais incisiva das Forças Armadas a exigir a deposição de Vargas.

Multidão em parque com edifícios governamentais ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma grande multidão reunida em um local aberto. A partir da esquerda para a direita, vemos uma série de árvores e uma estrada que se curva ao redor de um parque central. No centro, há um edifício com muitas janelas e colunas, possivelmente um palácio ou um edifício governamental. Ao fundo, outros edifícios e construções são visíveis, além de algumas árvores e áreas verdes. A multidão ocupa a maior parte da imagem, ocupando o espaço do parque e se estendendo até os edifícios.

Multidão se aglomera em frente ao aeroporto Santos Dumont para acompanhar o embarque do corpo

de Getúlio Vargas para São Borja,

fotografia de autor desconhecido – 1954 - Agência Nacional/ Arquivo Nacional

Os manifestantes atacaram o prédio com pedras e paus, e logo os militares responderam com um forte tiroteio, resultando na fuga e pisoteio de muita gente. Os conflitos continuaram a sacudir o Rio de Janeiro pelos dias seguintes. O suicídio de Getúlio Vargas, aliado à reação popular nas ruas, acabou por frear um iminente golpe de Estado.

Motim em praça com barreiras de madeira e pessoas em movimento.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de um motim ocorrido em memórias de "Motins causados pelo suicídio de Getúlio Vargas". A imagem mostra uma praça com árvores ao longo dos lados. No centro, há várias barreiras de madeira dispostas no chão, bloqueando o caminho. Pessoas estão distribuídas pela praça, algumas parecendo estar em movimento, enquanto outras estão paradas. Ao fundo, há construções e mais pessoas reunidas.

Motins do suicídio de Vargas – 1954. Fundo Correio da Manhã/ Arquivo Nacional

Outras memórias

Memória 1 de 4: Golpes militares na República Nova