MitologiaTupi

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Rio Memórias

O imaginário místico tupi é repleto de lendas e personagens mágicos. Assim como diversos outros povos, os tupis tinham suas próprias mitologias sobre o dilúvio, que moldou a terra e a vida humana. Os indígenas acreditavam num “espírito antigo” — o velho criador do mundo, dos mares e das coisas. Existiam lideranças e fundadores, tais como Maíra, Sumé e Poxi – que ensinaram regras sociais e alimentares –, assim como ancestrais que explicavam as descendências, como Tupã, Irin-Magé, Tamandaré, Arikonta.

Ilustração colorida de personagem antigo com capa vermelha e manto verde, segurando bengala com ave grande e detalhada.Descrição da imagem: A imagem é uma ilustração colorida de um personagem antigo, vestindo uma capa vermelha sobre um manto verde. Ele segura uma bengala com uma ave grande e detalhada sentada no topo. A ave tem asas abertas, mostrando penas marrom e bege. O personagem está em pé, com a bengala apoiada contra ele.

Representação da Matintaperera (ou Matinta Perera), ao lado da ave associada à lenda, a

Tapera naevia

. Wikimedia Commons

Além de entidades sobrenaturais ligadas à natureza — como Tupã — havia aquelas ligadas aos animais, caso da ave Matintaperera, da ave de rapina Guaricuja e da própria Onça. Os animais tinham seus próprios mitos explicativos e apareciam transformados em humanos, participando como personagens das histórias orais. A partir dessas mitologias, os tupis explicavam muitas questões de entendimento do mundo e dos costumes que praticavam. Suas crenças estavam ligadas a plantas e animais que, de acordo com o que acreditavam, tinham poderes sobrenaturais, e deles partiam uma série de regras de caça e alimentação.

Gravura antropomórfica com ser de peixe e cabeça de animal, interagindo com figura humana em paisagem rural.Descrição da imagem: Esta é uma gravura em preto e branco. Na imagem, vemos um ser antropomórfico com corpo de peixe e cabeça de animal, possivelmente um lobo ou um cão. Ele está erguido sobre duas pernas humanas e tem mãos humanas. Ao seu lado, há uma figura humana vestida com roupas antigas, parecendo estar interagindo com o ser. O fundo mostra uma paisagem rural com casas e campos.

O monstro marinho Ipupiara sendo atacado. Presente no livro “História da Província Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil”, de Pero Magalhães Gândavo, 1576. Wikimedia Commons

Também pressentiam espíritos encantados nos animais e na natureza. Existiam aqueles que viviam na floresta, como o Curupira, e também os invocados pelos pajés para prever o futuro, que uivavam como o vento, chamados comumente de Uiucirá. Nas margens dos rios, acreditavam viver um tipo de entidade que se apresentava na forma humana mais bela, uma espécie de sereia(o), o Ipupiara, que afogava quem encontrasse. Além disso, especialmente à noite, eram aterrorizados pelo Anhangá, um espírito mau que perseguia os fracos e covardes para devorar suas almas — figura associada ao diabo pelos cristãos. À noite não se saía da maloca sem uma tocha para espantar tais entidades.

Gravura tropical com figuras humanas e animais.Descrição da imagem: Esta é uma gravura em preto e branco. A cena retrata um cenário tropical com várias figuras humanas e animais. Do lado esquerdo, há uma figura de um animal grande e peludo, seguido por três indivíduos de pé, conversando. No centro, há uma casa de palha e outros edifícios similares. À direita, dois homens estão em uma praia, com um navio à distância. Na parte inferior, há mais figuras humanas e animais, incluindo um homem deitado no chão. O texto "DE L'AMERIQUE" está localizado na parte superior direita da imagem.

Representação do Anhangá, que perseguia e maltratava os indígenas. Da obra de Jean de Léry.

Outras memórias

Memória 1 de 4: Boitatá