Depois do sucesso do desfile promovido pela Fábrica Bangu no Copacabana Palace, em 1951, a ideia inicial foi ampliada e os diretores da tecelagem resolveram implementar o concurso como um acontecimento anual. Fora Maria Cândida Silveira, esposa de Joaquim Guilherme da Silveira, quem tivera a ideia de organizar o evento beneficiente em que suas amigas da high society desfilaram. Fazer com que o Miss Elegante Bangu se tornasse parte do calendário permanente da moda carioca era uma ótima estratégia de propaganda da fábrica, ao mesmo tempo em que já promovia uma ideia de moda autoral.
Desde o primeiro concurso Miss Elegante Bangu, os modelos desfilados foram desenhados pelo costureiro José Ronaldo, considerado por muitos o pioneiro da alta-costura brasileira. Uma vez ao ano, competiam candidatas de todas as partes do Brasil, usando roupas sofisticadas confeccionadas com algodão da Bangu. Eram vestidos compridos, bastante rodados, plissados, com a roda da saia godê, o chamado godê guarda-chuva. Os sapatos eram os scarpin, decotados.
Flagrantes do primeiro concurso Miss Elegante Bangu publicados na revista O Cruzeiro. No alto, à esquerda, a princesa Fátima de Orleans e Bragança, no momento da apuração, entre Herbert Moses, então presidente da ABI, e Joaquim Guilherme da Silveira, diretor-comercial da Fábrica Bangu. À direita, a senhora João de Saavedra, cujo nome de solteira era Gilda Bandeira de Mello, entre Jorge Guinle e Roberto Marinho, franco apoiador do concurso. Ao centro, as senhoritas Corina Baldo, vencedora do certame, com um vestido de organdi bordado, e Maria Leonor Mendonça Simões, com um vestido estampado amarelo e branco, de frente única e saia plissada, também de organdi, fotografias de José Medeiros e Carlos, 14/02/1953
Toda a elite carioca compareceu aos salões do Copacabana Palace que estavam lotados na noite quente daquele sábado, 24 de janeiro de 1953, quando foi realizado um grande baile para que fosse eleita a Miss Elegante Bangu de 1952. O júri era composto das figuras mais representativas, nomes consagrados nas artes, na crônica social e na elegância brasileira, como os jornalistas Marilu Montenegro, Alceu Penna, Gilberto Trompowsky, Jacinto de Thormes e Ibrahim Sued, o pintor Santa Rosa, senhores e senhoras da burguesia abastada e até membros da família Orleans e Bragança.
Mais de trinta concorrentes desfilaram, cada uma, dois vestidos, penteadas por Maria, do Baldini, e maquiladas de Elizabeth Arden. Eram moças de todos os estados do Brasil, representantes dos principais clubes esportivos do país, que indicavam suas candidatas. Verdadeiras multidões compareciam às agremiações quando se realizavam eleições das concorrentes. A imprensa anunciou que era a primeira vez que um concurso de tal importância se realizava no Brasil. A mobilização que o Miss Elegante Bangu provocou aproximou seus tecidos de moças da elite e também de jovens da classe média.
A senhorita Corina Baldo, de 21 anos, jovem funcionária da Embaixada Americana, foi a primeira colocada no concurso e recebeu a faixa de Miss Elegante Bangu de 1952 das mãos de Joaquim Guilherme da Silveira. Corina, que mais tarde se tornaria mãe do ator Felipe Camargo, usa vestido de organdi na cor mauve plissado e bordado com canutilhos. Ecktachrome de Nicolau Drei e Yllen Kerr, Manchete, 07/02/1953
Os desfiles promovidos pela Fábrica Bangu tinham ainda o mérito de serem beneficentes, pois toda a renda era destinada a ajudar uma instituição de caridade. A escolha anual da Miss Elegante Bangu se consolidou como a noite de gala do algodão brasileiro, o público elegante superlotava os salões do Copa. Aconteceu quatro vezes, em edições bienais, e os desenhos dos vestidos foram todos assinados por José Ronaldo. Ao final da década de 1950, o concurso era anunciado como o maior evento de elegância da América do Sul.