MassacredaPraiaVermelha

Tempo de leitura 2 min

Pauliane de Carvalho Braga

Em 1966, a União Nacional dos Estudantes (UNE) declarou o 22 de setembro como Dia Nacional de Luta contra a Ditadura. Embora colocada na ilegalidade durante o governo do general Castello Branco, a entidade continuava a ser a principal articuladora do movimento estudantil no período. Passeatas foram convocadas em todo o país, reivindicando o fim das violências policiais e o não pagamento de taxas e anuidades nas universidades públicas.

No Rio de Janeiro, homens da Polícia Militar (PM) e do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) ocuparam as ruas da cidade, a fim de impedir as manifestações. Os estudantes, prevendo o confronto, realizaram a passeata no campus da Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O ato saiu da Faculdade de Economia e foi acompanhado por mais de 600 secundaristas e universitários. Quando chegaram ao prédio da Faculdade de Medicina, decidiram ocupá-lo.

Estudantes ocupam o prédio da Faculdade de Medicina, em ato do “Dia Nacional de Luta contra a Ditadura” – 22/09/1966 – Kaoru. Jornal do Brasil.

Três pessoas segurando lençol em balcão de construção.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia preto e branco. Três pessoas estão em um balcão de uma construção. A pessoa mais à esquerda está segurando um lençol grande, enquanto a pessoa do meio e a do lado direito ajudam a manter o lençol aberto. O lençol tem um padrão geométrico e uma faixa com letras em branco. A construção tem detalhes arquitetônicos decorativos na parte inferior.

Tropas da PM e do Dops já se concentravam no local, quando começaram a chegar pais e professores dos manifestantes. Preocupados com um possível embate, eles formaram uma comissão de apoio e negociação. Tentavam convencê-los a sair do prédio, ao mesmo tempo em que levavam comida e agasalhos aos estudantes. As tratativas foram em vão, e a faculdade foi invadida pelas forças policiais durante a madrugada. Acuados, os jovens se refugiaram no último andar, mas foram forçados a sair pelas bombas de gás lacrimogênio.

Após a ocupação da Faculdade de Medicina pelos estudantes, centenas de policiais e agentes do Dops foram encaminhados para o campus da Praia Vermelha – 22/09/1966 – Kaoru. Jornal do Brasil.

Passeata em preto e branco em Rio de Janeiro, 22/09/1966Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco mostrando uma passeata em Rio de Janeiro em 22 de setembro de 1966. Do lado esquerdo, há um caminhão com a placa "DER" e o número "893262". Em cima do caminhão, várias pessoas estão sentadas. Ao fundo, há mais caminhões idênticos, também ocupados por pessoas. À direita, há um carro antigo parado. No fundo, há construções e árvores.

Havia, contudo, um único trajeto pelas escadas. Ao chegarem lá, perceberam a emboscada: munidos de cassetetes, os policiais formaram um corredor polonês pelo qual os alunos tinham, obrigatoriamente, de passar. Homens e mulheres apanharam indiscriminadamente, e muitos foram presos; os laboratórios, salas de aula e anfiteatros da escola foram totalmente destruídos pela PM. A violência empregada no que ficou conhecido como Massacre da Praia Vermelha levou ao arrefecimento das manifestações estudantis de massa, que só voltariam a acontecer em 1968.

Outras memórias

Memória 1 de 4: O golpe que instaurou a ditadura civil-militar