MarchadaFamíliacomDeuspelaLiberdade

Davi Aroeira Kacowicz

Tempo de leitura 2 min

Davi Aroeira Kacowicz

No dia 13 de março de 1964, ao mesmo tempo em que o presidente João Goulart assinava os decretos das Reformas de Base – num grande comício ocorrido na Central do Brasil –, as janelas da zona sul carioca se enchiam de velas, em vigília. Para além do gesto religioso, os círios acesos eram um ato político contra o presidente e seu ‘comunismo ateu’.

Nos idos de março, as manifestações conservadoras se intensificaram em todo o país. No Rio de Janeiro, estava marcada para o dia 2 de abril a Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Uma passeata que, além de defender o sacro rosário, pretendia clamar às Forças Armadas a derrubada do presidente, libertando o Brasil do ‘perigo comunista’. Mas a manifestação, que prometia ser dramática e apelativa, marchou ao sabor da vitória do golpe militar.

Era para ser mais uma Marcha da Família com Deus pela Liberdade, mas em virtude do golpe militar de 31 de março, passou a ser conhecida como Marcha da Vitória. Agência O Globo, 02/04/1964.

Manifestação em preto e branco com cartazes sobre democracia e reformas.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia preto e branco de uma grande manifestação. A multidão está densamente lotada, com pessoas segurando bandeiras e cartazes. Os cartazes exibem mensagens como "Democracia para o Brasil", "Reformas com o Congresso", e "Comunismo não, democracia sim". A disposição espacial mostra que os participantes estão organizados em fileiras, com os cartazes mais proeminentes no centro e à frente. A maioria dos cartazes está em destaque, enquanto alguns estão mais distantes, formando um fundo denso de corpos humanos.

Os ímpetos golpistas do ato cívico foram atendidos às vésperas, entre 31 de março e 1º de abril, quando o general Olímpio Mourão Filho antecipou a conspiração tramada contra Goulart, colocou os tanques na rua e depôs o presidente. Ao som dos sinos da Candelária, onde se deu a concentração da Marcha da Família, o desfile seguiu pela avenida Rio Branco, celebrando a ‘revolução ’vitoriosa.

Marcha da Vitória, que foi a versão carioca da Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Agência O Globo, 02/04/1964

Manifestação pública em preto e branco, multidão em frente a edifício grande.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma manifestação pública. A imagem mostra uma multidão密集聚集在街道上,背景中有一座大型建筑。人群中有许多穿着不同服装的人,包括西装、连衣裙和帽子。前景中,一个人举着一个带有文字的标语牌,上面写着“COM FOGUETES VIRAMA LUA... CONOSCO VIRAM ESTRELAS.”。建筑物前面有柱子支撑,上方悬挂着旗帜。地面上散落着一些纸片。

A cavalaria da Polícia Militar, portando as flâmulas da corporação, abriu o cortejo. Também seguiam à frente as principais responsáveis pela organização da passeata: as líderes da Campanha da Mulher pela Democracia, grupo formado por mulheres ligadas à elite empresarial e ao alto clero carioca. Atrás, uma massa de aproximadamente 800 mil pessoas, na maior manifestação de rua da história até então.

Dado seu caráter comemorativo, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade foi chamada pela imprensa de Marcha da Vitória. Seu volume impressionante foi entendido pelos golpistas como o aval civil para a consolidação de um novo governo,o que ocorreria dias depois, com a posse do general Humberto Castelo Branco como presidente do Brasil – dando início à Ditadura Militar que duraria 21 anos.

Fim da marcha, no obelisco da avenida Rio Branco. Rio de Janeiro, 02/04/1964. CPDOC/FGV/

Manifestação pública com multidão, estátuas e edifícios públicos.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia colorida de uma grande manifestação pública. Do lado esquerdo, vemos um monumento com uma estátua em destaque. À frente dele, há uma multidão de pessoas reunidas, ocupando o espaço do primeiro plano. No centro, há um obelisco alto e imponente. Ao fundo, à direita, estão edifícios públicos, incluindo um palácio com colunas clássicas. A imagem foi tirada durante o dia, com luz natural iluminando a cena.

Outras memórias

Memória 1 de 4: O golpe que instaurou a ditadura civil-militar