LampiãodaEsquina

Tempo de leitura 2 min

Rio Memórias

“Amor entre mulheres”. Esta era a manchete na capa da edição de maio de 1979 do jornal carioca Lampião da Esquina, o primeiro do Brasil a tratar abertamente da “causa homossexual” – como era chamada a pauta LGBTQIAPN+ naquele período.

Capa de revista preto e branco sobre amor entre mulheres.Descrição da imagem: A imagem é uma capa de revista em preto e branco. No topo, está escrito "LAMPIÃO" em letras grandes e negras. Abaixo, há informações sobre o número da revista: "Ano 1 - Nº 12 - Maio de 1979 - Cr$ 18,00". À direita, está escrito "Leitura para maiores de 18 anos" e "da esquina". O centro da imagem destaca um grande texto em destaque que lê "AMOR ENTRE MULHERES", com subtitulos e frases em torno dele. A parte inferior apresenta uma faixa com o texto "PROCURA-SE" e mais frases abaixo.

Fundado em 1978, em meio à Ditadura Militar, o Lampião tinha a coragem de celebrar o amor entre pessoas do mesmo gênero e denunciar a violência policial contra travestis, além de apontar o teor preconceituoso que alguns jornais usavam ao falar da população LGBTQIA+.

Com corpo editorial diverso – formado por jornalistas, antropólogos, poetas e críticos de cinema – e pautas que iam da “causa homossexual” às lutas raciais e feministas, passando por temas que são tabu até hoje, como o amor entre pessoas com deficiência, o Lampião da Esquina figurava na lista de “imprensa contestatória ao governo”, que circulava entre os diferentes órgãos do sistema repressivo.

Estar nessa lista tornava o Lampião da Esquina alvo declarado do regime militar e, em abril de 1979, 5 de seus editores foram fichados na Polícia Federal sob alegação de “ofensa à moral e ao pudor público”, em uma das inúmeras tentativas de censurar o jornal e a população LGBTQIA+. O fato foi denunciado na capa do periódico, que ainda comparou as punições ao “crime” de ser homossexual com os “crimes de colarinho branco”, cometidos por quem quase sempre ficava impune.

Capa de jornal de setembro de 1979 destacando "Homossexuais se organizam".Descrição da imagem: A imagem é uma capa de jornal em preto e branco. No topo, está o título "Lampião" em letras grandes e negras. Abaixo, há informações sobre o número do ano e mês, datando de setembro de 1979. A capa destaca um artigo principal com o título "Homossexuais se organizam". Uma foto mostra uma pessoa de perfil, com cabelos longos, vestindo uma camisa branca. À esquerda da foto, está escrito "As confissões de Darlene Glória". Ao lado direito, há um triângulo com a palavra "Exclusivo". Embaixo da foto, estão três subtítulos separados por linhas diagonais, cada um contendo um título diferente: "Altos papos sobre travestis", "Minas elegerá sua 'Miss Gay'", e "Chantage no banheiro da Central".

Boletins confidenciais produzidos pela Divisão de Segurança e Informação descreviam o Lampião como um jornal dedicado à “promoção do homossexualismo” e responsável por abordar “assuntos atentatórios à moral e aos bons costumes”. Mas, a despeito de todas as críticas e tentativas de silenciamento, o periódico, publicado mensalmente, circulou até 1981 e teve 38 edições, que podem ser acessadas no site do Centro de Documentação Prof. Dr. Luiz Mott (CEDOC).

Outras memórias

Memória 1 de 4: Revista O Cruzeiro