JoãoCândido

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Rio Memórias

João Cândido Felisberto nasceu de Ventre Livre (Lei 2040/1871) em 1880, em uma fazenda em Encruzilhada do Sul/RS. Aos 14 anos, ingressou na Marinha como grumete e, depois, se tornou marinheiro, navegando pela Europa, América e África.

Enviado para a Inglaterra em julho de 1909 para aprender a operar o encouraçado Minas Gerais, tomou conhecimento das revoltas de marinheiros, como a do encouraçado Potemkin, promovida em 1905 por marinheiros russos, que reivindicavam melhores condições de trabalho. Inspirado pelo que ouvira no estaleiro britânico, ao chegar ao Brasil, tentou negociar o fim da chibata com o então presidente Nilo Peçanha, sem sucesso. O uso da chibata como castigo na Marinha brasileira havia sido abolido em 16 de novembro de 1889; na prática, porém, ele continuou sendo aplicado.

João Cândido

Homem em uniforme de marinheiro, preto e branco.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga em preto e branco. No centro da imagem está um homem vestindo um uniforme de marinheiro, com uma camisa branca e um laço preto em volta do pescoço. Ele também usa um chapéu branco. O fundo é neutro, sem detalhes específicos.

João Cândido não desistiu de sua ideia e, em novembro de 1910, junto a alguns companheiros, começou a planejar uma rebelião. A revolta foi precipitada pela punição do marinheiro Marcelino de Menezes. João Cândido assumiu a liderança do movimento a bordo do Minas Gerais. Depois de enviar carta ao presidente Marechal Hermes da Fonseca, os marujos receberam o enviado do governo, o deputado José Carlos de Carvalho, e negociaram a anistia e o fim da chibata.

O final infeliz já se conhece: os marinheiros foram traídos pelo presidente, João Cândido foi preso, interrogado e levado para a ilha das Cobras. Na solitária número cinco, onde só cabiam 6 prisioneiros, ficaram 18 por três dias, sem ter o que comer ou beber, num calor insuportável. Apenas dois sobreviveram: João Cândido e João Avelino Lira.

Em abril de 1911, João Cândido foi internado no Hospital Nacional de Alienados. O diretor da instituição, Juliano Moreira, atestou que o marinheiro não era louco. Liberado, voltou à prisão. Foi absolvido, em emocionante julgamento defendido pelo então jovem advogado Evaristo de Moraes.

João Cândido vendendo peixe na praça XV, 1938. Acervo Biblioteca Nacional - BN Digital

Três pessoas em mercado antigo com cestas de peixes.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga em preto e branco. Na imagem, vemos três pessoas em um ambiente que parece ser um mercado ou feira. A pessoa mais à esquerda está segurando uma cesta grande de madeira cheia de peixes. Ao centro, uma mulher sorri enquanto segura uma cesta menor. À direita, um homem usando um chapéu e uma camisa branca está perto de uma grande cesta de peixes. Todos estão em pé sobre uma mesa de madeira.

Saiu da prisão em dezembro de 1912 e passou a vender peixes para se manter. Viveu seus últimos anos em São João de Meriti.

João Cândido em 1963. Arquivo Nacional - Fundo Correio da Manhã

Homem idoso sentado, apontando com a mão direita.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de um homem idoso. Ele está sentado, com a mão direita levantada apontando para frente. O homem usa uma camisa branca aberta até o pescoço e óculos redondos. Ao fundo, há uma parede com uma janela parcialmente aberta, revelando uma vista externa.

Referências:

BERNARDO, André. A conturbada vida de João Cândido, líder da Revolta da Chibata preso, expulso da Marinha e internado como louco. Disponível em: BBC CHEUICHE, Alcy. João Cândido, o almirante negro. Porto Alegre: LP&M, 2011. LAMARÃO, Sergio e URBINATI, Inoã Carvalho. João Cândido - verbete. Disponível em: CPDOC - Fundação Getúlio Vargas MOREL, Edmar. A Revolta da Chibata (1958). 4a ed. Rio de Janeiro: Edições Graal /Paz e Terra, 1986.

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