InsurreiçãoComunista

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Pauliane de Carvalho Braga

Na madrugada do dia 27 de novembro de 1935, o sono do presidente Getúlio Vargas foi interrompido pela notícia de que duas unidades do Exército haviam se rebelado no Rio de Janeiro: a Escola de Aviação Militar, no campo dos Afonsos, e o 3º Regimento de Infantaria, na praia Vermelha. Mas a insurreição não foi uma surpresa. Relatório enviado há meses pelo Serviço de Inteligência Inglês informava sobre o desembarque de quadros da Internacional Comunista no país e dos planos do Partido Comunista do Brasil (PCB) para envolver os militares no levante.

Dias antes da revolta militar na capital, cabos e praças do 21º Batalhão de Caçadores de Natal, insatisfeitos com a dispensa de efetivos, tomaram o quartel. No dia seguinte, militares de Recife se levantaram em solidariedade. Ambos os movimentos foram assumidos pelo PCB e contidos pelos estados.

No Rio, as notícias que chegavam sobre os eventos do nordeste eram desencontradas. Mesmo com o país sob estado de sítio, os comunistas decidiram antecipar os planos de uma revolução nacional popular. A confiança para tanto vinha da convicção de que um membro recém-filiado ao partido, o ex-líder tenentista Luís Carlos Prestes, teria grande influência sobre os quartéis.

Edifício danificado com soldados observando fenda na parede.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco mostrando um edifício danificado. Do lado esquerdo, há uma grande fenda na parede, com destroços de tijolos espalhados no chão. À direita, três soldados estão de pé perto da fenda, olhando para dentro do edifício. O edifício tem colunas e balaustradas na parte superior, e a fachada está deteriorada.

Entrada do 3º Regimento de Infantaria após confronto entre comunistas e forças do governo.

Fotógrafo desconhecido. Data: 28/11/1935. Fundo Correio da Manhã/Arquivo Nacional

A estratégia comunista se baseava no efeito dominó. Acreditavam que o levante nos quartéis despertaria a solidariedade de outras unidades e o apoio das massas. Por um lado, o caráter improvisado da revolução não permitiu uma comunicação adequada com as partes das quais se esperava apoio. Por outro, as informações privilegiadas do Governo Federal garantiram uma resposta imediata e eficaz ao levante.

Montanhas cobertas de vegetação com forte industrial no horizonte.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga em preto e branco. Do lado esquerdo, vemos uma montanha com forma irregular, coberta por vegetação. Na parte superior da montanha, há uma estrutura que parece ser um forte ou uma fortaleza. À direita, há outra montanha com forma mais suave, também coberta por vegetação. No horizonte, vemos uma fumaça saindo de uma área que parece ser uma fábrica ou estação industrial. O céu está nublado, e o rio está calmo, refletindo a paisagem.

3º Regimento de Infantaria em chamas.

Fotógrafo desconhecido. Fundo Correio da Manhã/Arquivo Nacional

A Escola de Aviação foi defendida pelo tenente-coronel Eduardo Gomes, que em poucas horas debelou a revolta. Do outro lado da cidade, na praia Vermelha, o conflito durou cerca de dez horas. Mas a localização do Regimento – entre dois morros, tendo como única via de acesso a avenida Pasteur - acabou sendo decisiva para o final do embate, que terminou com seus militares encurralados. Nos meses que se seguiram ao levante, centenas de opositores ao governo foram presos.

Soldados em formação, fundo com edifício e árvore.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma multidão de soldados em formação. A partir da esquerda para a direita, os soldados estão dispostos em fileiras, com alguns em primeiro plano e outros mais distantes. No fundo, há um edifício de dois andares com janelas regulares. À direita, parte de uma árvore e um telhado são visíveis.

Prisioneiros da Insurreição Comunista.

Fotógrafo desconhecido. Fundo Correio da Manhã/Arquivo Nacional

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Memória 1 de 4: Golpes militares na República Nova