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Rio Memórias

Favela em preto e branco com casinhas de madeira e vegetação.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma favela. Do lado esquerdo, vemos várias casinhas de madeira com telhados inclinados, algumas com varandas. À medida que nos movemos para a direita, notamos mais construções similares, mas com variações na disposição e tamanho. No centro, há um pequeno terreno com vegetação. À direita, encontramos uma construção mais grande, com uma entrada aberta. No fundo, vemos uma linha de árvores e, além delas, uma estrutura que parece ser um edifício público. Na parte superior da imagem, há uma área com mais construções e uma montanha ao fundo.

Foto: Favela da Praia do Pinto - Acervo Biblioteca Nacional

No passado, havia um conjunto de favelas às margens da lagoa Rodrigo de Freitas. A maior delas era a chamada Praia do Pinto, no Leblon, uma favela horizontal que teve suas origens provavelmente nos anos 1930, com o início da construção do canal do Jardim de Alá e a valorização imobiliária da região, o que aumentou a oferta de empregos na construção civil e na área de serviços. Seus primeiros moradores eram, principalmente, imigrantes nordestinos que procuravam trabalho ou já eram empregados nos bairros próximos.

Mas foi a própria valorização imobiliária, tornada especulação, um dos fatores decisivos para a enorme pressão que culminou na radical política de remoção de favelas empreendida durante os governos de Carlos Lacerda e Negrão de Lima, nos anos 1960. Por meio de uma operação tão gigantesca quanto brutal, o poder público tentou remover ao máximo as favelas da zona sul e da região central, transferindo seus moradores para conjuntos habitacionais longínquos e de infraestrutura precária.

Favela em preto e branco, ruas estreitas, casas simples, bambu, crianças caminhando, colina verde, cabos elétricos, árvores folhosas.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma favela. A imagem mostra uma rua estreita com casas simples feitas de madeira e cercadas por cercas de bambu. À esquerda, crianças caminham pela rua, enquanto à direita, duas crianças estão perto de um muro de bambu. No fundo, há uma colina coberta por vegetação densa. Na parte superior da imagem, cabos elétricos são visíveis, e árvores de folhas largas estão ao longo da direita.

Foto: Favela da Praia do Pinto - Acervo Biblioteca Nacional

A remoção da favela Praia do Pinto fez parte desse movimento e ilustra muito bem o autoritarismo e o ímpeto de segregação em seu interior. Ocorre que o episódio decisivo no processo de remoção foi um incêndio, jamais esclarecido. Numa madrugada de maio de 1969, cerca de mil barracos foram destruídos pelas chamas, deixando 9 mil pessoas desabrigadas. A tragédia se deu num período de especial tensão, com líderes comunitários oferecendo resistência às ameaças de transferência para outros bairros. O incêndio acabou sendo um pretexto para a retirada dos moradores, que foram levados para conjuntos distantes como Cidade Alta e Cidade de Deus, e alguns integraram mais tarde a Cruzada São Sebastião, vizinha à favela.

Na área da antiga praia do Pinto, foi erguido um condomínio conhecido como Selva de Pedra e, mais recentemente, o Shopping Leblon.

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