GreveGeralde1917

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Bruno Viveiros Martins

A Greve Geral de 1917, que mobilizou de 50 a 70 mil trabalhadores no Rio de Janeiro, foi a prova de fogo do movimento operário brasileiro, no início do século XX. Na época, as associações operárias contavam com uma maior organização e um aumento significativo de seus quadros em relação aos movimentos grevistas da década anterior. Um fator determinante para isso foi a influência das ideias anarquistas que chegaram ao Brasil com as levas de imigrantes europeus, desde o final do século XIX.

A luta contra a recessão econômica amplificada pelos impactos da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a união em torno de reivindicações, como a redução nas horas de trabalho, também fortaleceram o movimento. A estratégia usada pelos sindicatos para conquistar o apoio da opinião pública foi agitar suas bandeiras contra a carestia em que vivia a grande maioria da população.

Grupo de pessoas em salão, contra a canhestria da vida.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia em preto e branco de um grande grupo de pessoas reunidas em um local interno, possivelmente um salão ou auditório. Na parte superior da imagem, há um texto que lê "CONTRA A CANHESTIA DA VIDA". À esquerda, dentro de um círculo, está retratado um pequeno grupo de pessoas sentadas em cadeiras, possivelmente em uma cena social ou festiva. O grupo principal está distribuído em várias fileiras, com alguns indivíduos mais próximos à câmera e outros mais distantes, ocupando o espaço do salão.

Um comício popular contra o alto custo de vida, realizado na Federação Operária do Rio de Janeiro.

Jornal

O Imparcial: Diário Illustrado

do Rio de Janeiro

– 1917- Hemeroteca da Biblioteca Nacional

Nesse sentido, foi criada uma pauta unificada em torno de propostas, como o fim da mão-de-obra infantil, proteção ao trabalho feminino, melhores condições de higiene nas fábricas, responsabilização do patronato nos casos de acidentes de trabalho, redução no valor dos aluguéis e congelamento do preço dos gêneros de primeira necessidade.

Multidão urbana em preto e branco, com construções ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma grande multidão de pessoas reunidas em um local urbano. A imagem mostra uma variedade de indivíduos, predominantemente mulheres e homens, vestindo roupas do período. À esquerda, vemos alguns indivíduos de pé, enquanto à direita há mais pessoas em pé, alguns com chapéus. No fundo, há construções que parecem ser edifícios públicos ou residenciais.

Mulheres trabalhadoras também aderiram à greve.

Autor da foto não identificado. Revista

Careta

- 1917 - Hemeroteca da Biblioteca Nacional

A mobilização nas ruas foi intensa durante todo o ano. No mês de julho, em uma das fases mais críticas da crise econômica, multidões invadiram moinhos, padarias e armazéns. Comícios e passeatas foram promovidos nos principais pontos de aglomeração da cidade. Ao longo desse processo, várias categorias criaram seus sindicatos, como os trabalhadores da construção civil, marceneiros e metalúrgicos.

Caricatura em preto e branco sobre greve geral.Descrição da imagem: A imagem é uma caricatura em preto e branco. No primeiro plano, há um grande balde de palha contendo várias figuras humanas, representando trabalhadores. À direita, uma mão segura um copo com a inscrição "GREVE GERAL". Ao fundo, há uma multidão de pessoas observando a cena. A caricatura está assinada por Loureiro.

Na caricatura, é a greve geral, e não o balaio da politicagem, quem guiará os caminhos da vida social.

Desenho de Loureiro. Revista

O Malho –

1917 - Hemeroteca da Biblioteca Nacional

Muitas dessas organizações sindicais apresentavam reivindicações até então heterogêneas, que variavam desde propostas reformistas até ações revolucionárias. A Federação Operária do Rio de Janeiro (Forj) desempenhou um papel fundamental na expansão e fortalecimento das atividades, aglutinando os grevistas em torno de propostas comuns.

Outras memórias

Memória 1 de 4: Greve do Lloyd Brasileiro de 1913