FaveladoLargodaMemória

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Rio Memórias

O Leblon é um dos metros quadrados mais caros do país. Mas a área era considerada suburbana até as primeiras décadas do século XX e sua ocupação foi feita por comunidades faveladas, como a do Largo da Memória. A comunidade ocupava uma extensa faixa de terra alagadiça entre Gávea e Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, originando-se de um antigo acesso à praia próximo à Lagoa Rodrigo de Freitas. Sua localização corresponde ao atual 23º Batalhão de Polícia Militar (BPM).

Sua formação está ligada ao processo de urbanização da região a partir da década de 1930, especialmente às obras do canal do Jardim de Alah e à expansão das linhas de bonde em direção à Gávea. Esse contexto atraiu trabalhadores — muitos deles migrantes — que buscavam proximidade com empregos na construção civil, no serviço doméstico e no comércio local.

Fotografia preto e branco de favela com casinhas de madeira e montanha verde.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma favela localizada no Largo da Memória. Do lado esquerdo, vemos várias casinhas de madeira agrupadas juntas, com telhados inclinados. À medida que nos movemos para a direita, notamos mais casas e algumas pessoas caminhando ou trabalhando nas áreas verdes à frente das casas. No fundo, há uma montanha coberta por vegetação densa. Na parte inferior da imagem, vemos um homem caminhando sobre uma calçada de pedra.

Favela Largo da Memória, c.1940. Rio de Janeiro. Acervo Casa de Oswaldo Cruz.

O Largo da Memória não era um núcleo isolado: fazia parte de um conjunto articulado com outras favelas vizinhas, como a Praia do Pinto e a chamada Cidade Maravilhosa, formando uma rede de ocupações populares na orla da Lagoa. Do ponto de vista geográfico, tratava-se de uma ocupação horizontal, adaptada ao terreno plano e sujeito a inundações, característica comum às favelas da Lagoa. As moradias eram predominantemente barracos de madeira, de zinco e de outros materiais precários, com pouca infraestrutura urbana.

Cerimônia de lançamento de pedra fundamental em preto e branco.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma cerimônia de lançamento de pedra fundamental. A imagem mostra três homens em trajes formais, incluindo um terno e um chapéu, posicionados à direita. Eles estão segurando uma fita vermelha, que parece ser parte do ritual de lançamento. À esquerda, há uma estrutura de madeira com uma fogueira acesa, onde está sendo realizado o ato simbólico. O fundo apresenta uma construção em construção, com vigas e telhas visíveis.

O prefeito Henrique Dodsworth (à direita) ateando fogo nos barracões da favela do Largo da Memória.

O Malho

, julho de 1942. Fundação Biblioteca Nacional.

Nas décadas de 1940-1960, políticas de erradicação de favelas no Rio intensificaram-se, contra aglomerações consideradas focos de insalubridade. A gestão do prefeito Henrique de Toledo Dodsworth iniciou aquele ciclo de remoções forçadas, no qual o próprio prefeito tomou a iniciativa de incendiar favelas, como a do Largo da Memória, em maio de 1942.

Fotografia preto e branco de favela com palmeira e edifícios de madeira simples.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma favela. Do lado esquerdo, há uma grande palmeira, enquanto ao centro e à direita estão dois pequenos edifícios de madeira, com telhados inclinados. Os edifícios têm portas e janelas simples, e um dos edifícios exibe uma placa com letras claras. No chão, ao redor dos edifícios, há pedaços de madeira e outros detritos. O céu está escuro e nebuloso, sugerindo um dia nublado ou pós-tempormento.

Incêndio na Favela Largo da Memória, 24/05/1942. Autor: Victor Tavares de Moura. Fundação Oswaldo Cruz.

Os moradores da favela do Largo da Memória foram transferidos principalmente para barracões próximos ao canteiro de obras do Parque Proletário da Gávea. Outra leva de moradores se instalou na favela da Praia do Pinto, que também foi vítima de um incêndio — que, ao que tudo indica, teria sido criminoso — na década de 1960.

Fotografia preto e branco de favela com edifícios baixos e áreas urbanas ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma favela. Do lado esquerdo, há um grande edifício baixo com várias janelas e escadas de madeira. À frente dele, estão pilhas de madeira e alguns trabalhadores. No centro, há uma série de casinhas de madeira, algumas com telhados inclinados. Ao fundo, há uma colina com vegetação e mais construções. A direita, há uma área urbana com prédios mais altos.

Parque Proletário Provisório nº 3, Praia do Pinto. 194-. Autor: Victor Tavares de Moura. Fundação Oswaldo Cruz.

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