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Rio Memórias

Gabriel Arruda

Em entrevista à revista

Manchete

em 1961, Ary Barroso confessou seu medo, não da morte, mas do ostracismo: "Sou um morto-vivo", exclamou. O músico chegou a afirmar que tinha medo de um enterro esvaziado, onde nenhum dos presentes dava a devida atenção ao morto.

A inventividade e os vários talentos de Ary parecem ter impedido que seu temor se concretizasse. O jornal

O Globo,

O último adeus a Ary Barroso: Mais de cinco mil pessoas acompanharam o enterro [...] O caixão ia coberto por uma bandeira do Flamengo e conduzido, entre outras pessoas, pelo ministro Abelardo Jurema, representando o presidente da República, e pelo deputado Paulo Amora, que representava o governador

Uma semana depois, os jornais seguiam cheios com os pedidos de celebração de missa "em intenção" do compositor. Assim o fizeram o Clube de Regatas Flamengo e várias associações de músicos e outros artistas.

Os ritos litúrgicos do sétimo dia se juntaram em um único evento.

O Globo

Com a igreja da Candelária inteiramente lotada, foi celebrada ontem por Dom Hélder Câmara a missa de 7º dia em memória de Ary Barroso, que contou com o coro do Teatro Municipal [...]. Uma grande fila formou-se para dar pêsames à família de Ary, cuja mensagem de despedida – gravada em mil pequenos discos – será enviada aos amigos pelo seu filho, Sr. Flávio Rubens Barroso, que fez a gravação

Estiveram presentes, além dos familiares e amigos,

os musicistas

Ataulpho Alves, Pixinguinha, Almirante, Vicente Celestino, Donga e João de Barro, além do Senador Juscelino Kubitschek, do deputado Jamil Amiden, e dos Ministros Luiz Gallotti e Amaral Peixoto.

Alguns curiosos escritos de Ary, encontrados por sua filha Mariúza, após a morte do pai, mostram que ele previa, de certa forma, seu legado: “Sei que me dão por morto/ Mas meu grande conforto/ É que é tudo mentira/ Eu não morro somente/ [...] / Eu sou eterno/ Porque Deus me quis assim”.

Homem deitado, toalha branca, Ary Barroso mencionado.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia em preto e branco. À esquerda, vemos um homem deitado de costas, coberto parcialmente por uma toalha branca. Sua postura é relaxada, com os braços cruzados sobre o peito e as pernas dobradas. À direita, há um texto escrito em azul e verde, destacando o nome "Ary Barroso" e frases sobre sua vida e obra. O fundo é simples, com uma divisão horizontal entre áreas de cor marrom e cinza.

Entrevista com Ary Barroso na revista Manchete

. Rio de Janeiro, 04 de novembro de 1961. Revista Manchete/ Hemeroteca Digital - Biblioteca Nacional, página 47, Edição: 0498

Imagem 1 de 3: Entrevista com Ary Barroso na revista Manchete . Rio de Janeiro, 04 de novembro de 1961. Revista Manchete/ Hemeroteca Digital - Biblioteca Nacional, página 47, Edição: 0498