Taís Gomes
Quatro rapazes ingleses foram responsáveis por uma histeria que arrastava multidões. A imprensa brasileira frequentemente destacava a ascensão do grupo e colocava nas manchetes a “loucura coletiva” que os jovens de Liverpool estavam provocando. A influência que John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr causavam na juventude de todo o mundo superou evento similar, vivido anos antes, com Elvis Presley.
Os Beatles já eram um sucesso na Inglaterra e na Europa em 1964. Mas, certamente, a ida da banda aos Estados Unidos e a aparição ao vivo no programa
The Ed Sullivan Show
, em fevereiro daquele ano, marcou a elevação mundial do fenômeno musical. Ou melhor, do fenômeno não apenas musical. A essa altura, seus retratos já estavam sendo estampados nas camisas, jaquetas, fronhas e até mesmo nos panos de pratos. O comércio de perucas teve alta procura para que os fãs copiassem a cabeleira de seus ídolos.
O Brasil não ficou imune à “indústria Beatles” da cabeça aos pés. “Suas cabeleiras fazem, sem dúvida, mais sucesso do que suas vozes”, noticiou a imprensa carioca. O avanço da popularidade da banda no país foi marcado pelo LP
Beatlemania
. Lançado pela Odeon em março, o long-play era uma espécie de coletânea exclusiva do mercado brasileiro e já nas primeiras semanas após o lançamento estava em 1º lugar na lista dos discos populares mais procurados. Porém, no Rio, as músicas puderam ser ouvidas antes mesmo do seu lançamento oficial. Graças a Joãozinho Ramos que, segundo o jornal
Última Hora
, agilizou o lançamento não oficial na boate Jirau. Por mérito do feito, ainda em março, quando foi lançado o compacto simples com os dois maiores sucessos do disco,
I want to hold your hand
e
She loves you
, já estavam na ponta da língua dos cariocas.
Capa do disco
Beatlemania
lançado
pela
Odeon em março de 1964.
Reprodução Ricardo Pugialli.