Depredaçãodojornal“ARepública”

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Helena Gomes

Lançado em dezembro de 1870, o jornal fluminense “A República” iniciou suas atividades com a publicação do Manifesto Republicano. O texto era assinado por mais de 57 nomes, dentre eles membros dissidentes do Partido Liberal, que incluíam políticos, comerciantes, fazendeiros e profissionais liberais, como Aristides Lobo e Lafayette Rodrigues Pereira.

Primeira página da primeira edição do jornal “A República”, na qual é lançado o “Manifesto republicano”. Jornal A República – Propriedade do Club Republicano. Ano: 1870, 3 dez., edição 0001. Hemeroteca Digital – Biblioteca Nacional

Jornal antigo "A República" de 1870, preto e branco.Descrição da imagem: Esta é uma imagem de um jornal antigo chamado "A República". A página é preta e branca, com texto organizado em colunas. No topo, há o título do jornal em letras grandes e negras. Abaixo do título, há uma linha que menciona que o jornal é "Propriedade de Club Republicano". O número do jornal é "N° 1", datado de "Sábado 3 de Dezembro de 1870". O texto principal está dividido em várias seções, com subtítulos em negrito. Há também uma seção chamada "Maximendo" no lado esquerdo.

O manifesto endereçava críticas ao regime monárquico e propunha uma República Federativa, em que prevaleceria a soberania do povo. Quintino Bocaiúva e Joaquim Saldanha Marinho, fundadores do Clube Republicano no Rio de Janeiro, lideravam os signatários do manifesto e coordenavam o jornal. As publicações antimonárquicas do jornal A República, muitas delas assinadas por seus fundadores, provocaram seu empastelamento por monarquistas, cerca de três anos após sua fundação. A prática do empastelamento de jornais, em geral, consistia na destruição de seus equipamentos ou edificações.

Era fevereiro de 1873 e, na sede do jornal na rua do Ouvidor, reuniam-se intelectuais e jornalistas a fim de comemorar a proclamação da República da Espanha. A celebração tomou conta do edifício, ornado com bandeiras republicanas. Suas janelas e sacadas vibravam ao som dos entusiastas de Emilio Castelar, líder dos republicanos espanhóis. Quintino Bocaiúva iniciava um discurso, logo interrompido por vivas à monarquia, quando teve início o ataque. Por horas, o jornal foi alvo da depredação que deixou suas janelas quebradas e as bandeiras rasgadas.

Matéria “A patriotada policial”, com ilustração dos amotinados em frente à redação. Jornal O Mosquito, Rio de Janeiro, n. 182, p. 8, 08 mar. 1873. Hemeroteca digital – Biblioteca Nacional.

Gravura preto e branco de homem em terno e chapéu, segurando punho cerrado, em frente à placa "A REPÚBLICA".Descrição da imagem: Esta é uma gravura em preto e branco. Na imagem, vemos um homem no centro, vestindo terno e chapéu alto, segurando um punho cerrado. Ele está em frente a uma placa que lê "A REPÚBLICA". À sua esquerda, pessoas estão em movimento, alguns parecendo estar sendo agarrados por outros. À direita, outros homens, também com chapéus altos, estão em pé, alguns segurando objetos. No fundo, duas figuras olham pela janela.

“A República” influenciou a fundação de várias agremiações e jornais republicanos em outras partes do Brasil, marcando o contexto político e intelectual do período anterior ao fim da monarquia.

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