Dasfavelasaosbairros

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Rio Memórias

Nas décadas de 1940 e 1950, as referências vagas por parte da imprensa ou das autoridades, sobre uma indefinida ‘favelinha de Bonsucesso’ – que geralmente remetiam a favelas diferentes, ainda que próximas umas das outras – cederam lugar à citação de seus nomes e identidades próprias: Morro do Timbau, Parque Maré, Parque União, Baixa do Sapateiro, Nova Holanda, Rubem Vaz.

Grupo de pessoas reunidos em frente a construção em reforma.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia preto e branco de um grupo de pessoas reunidas em frente a uma construção. A disposição espacial mostra que os indivíduos estão agrupados no centro da imagem, com alguns de pé e outros sentados. No fundo, há uma estrutura que parece ser uma construção em construção ou reforma. O texto na imagem menciona "Esta sendo destruída a 'Favelinha de Bonsucesso' Apelo de centenas de famílias".

Reportagem sobre mobilização de moradores

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A Noite

, 24 de novembro de 1947 – Hemeroteca Digital – Biblioteca Nacional

Gradativamente, os moradores se mobilizaram para construir a identidade de seus locais de moradia: buscar água no outro lado da Avenida Brasil; aterrar o solo para erguer a casa; reivindicar escolas e postos de saúde; lutar para não serem expulsos, enfim, criar uma identidade a ser mobilizada de acordo com as lutas e interesses do coletivo dos moradores.

Helinho, jornalista do Maré de Notícias, fala sobre as transformações ocorridas entre os bairros e favelas, a partir da definição das ruas de Manguinhos e Bonsucesso:

Hoje as ruas da Maré têm CEP, mas na época não tinha CEP. Então a gente assinava como Manguinhos. E ali na Baixa do Sapateiro, Morro do Timbau, Nova Holanda... Tudo assinava como Bonsucesso, porque era a ‘favela de Bonsucesso’. (...) quando virou bairro, em 95, os comerciantes de Bonsucesso não queriam que Bonsucesso fosse assemelhado à favela. Era muito feio Bonsucesso ter uma favela, então o que acontece: eles pegaram o Complexo da Maré, virou um bairro. Virou ‘Bairro Maré’.

Helinho

De qualquer modo, a imagem e a fama das palafitas da "Maré" – anteriormente considerada uma das favelas – acabou criando uma identidade coletiva para toda a área e, atualmente, todas as 16 favelas são da Maré. Ou partes do Complexo da Maré, ou, ainda, a Região Administrativa da Maré. Não são mais as favelas do bairro de Bonsucesso, Manguinhos, Ramos… mas Nova Holanda, Vila do João, Conjunto Esperança, Timbau.

Tudo isso graças às pessoas que um dia lutaram pelo direito à moradia e à cidade. E foi na luta por esses direitos, inclusive o direito ao território, que começaram a se identificar como moradores de uma localidade específica e parte de algo maior: as favelas do Complexo da Maré, do bairro Maré.

Área urbana com edifícios residenciais e rio.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia aérea em preto e branco de uma área urbana. A imagem mostra uma densa aglomeração de edifícios residenciais organizados em fileiras paralelas, ocupando a maior parte da esquerda da imagem. À medida que nos movemos para a direita, vemos uma grande área de água, possivelmente um rio ou canal, que separa esta parte da cidade da outra. No fundo, há uma área com mais espaçamento entre os edifícios e algumas áreas verdes. Na extremidade direita superior da imagem, há uma construção grande e retangular, que pode ser um prédio público ou institucional.

Complexo da Maré

, dec 1970. Museu da Maré

Outras memórias

Memória 1 de 4: Os primórdios da Maré: dos bairros à favela