ConfeitariaCarceller

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Rio Memórias

A rua Direita (atual 1º de Março) foi a via mais importante do Rio até o século XIX. Era no porto do largo do Paço que desembarcavam as novidades da Europa e, por consequência, um comércio efervescente cresceu ali. Em meio às lojas de moda francesas, livrarias e artigos importados, as cafeterias e confeitarias se multiplicaram entre as ruas Direita e do Ouvidor, como a Carceller, uma das primeiras sorveterias do império.

Uma praça urbana histórica com edifícios, igreja e árvores.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia histórica em preto e branco de uma praça urbana. Do lado esquerdo, vemos uma série de edifícios baixos com varandas e janelas abertas. À medida que nos movemos para a direita, encontramos uma grande igreja com cúpulas e torres, destacando-se no centro da imagem. Atrás dela, há mais construções e uma colina ao fundo. Na parte direita, há casas com telhados inclinados e janelas com grades. No primeiro plano, vemos algumas árvores e carros antigos estacionados.

Igreja da Ordem Terceira do Carmo, na antiga rua Direita, e o Boulevard Carceller. G. Leuzinger c. 1870

Essa confeitaria teria sido fundada em 1824, por José Tomás Carceller, e teve o auge de seu funcionamento nos anos 1860. O imperador D. Pedro II "tinha o costume, depois de visitar as igrejas na quinta-feira santa, de ir ao Carceller para tomar sorvetes, ali afamados. Estes eram servidos em forma de pirâmide, nuns pequenos cálices, e custava cada um 320 réis"1. Nessa época, o gelo utilizado para a fabricação dos sorvetes era importado dos Estados Unidos, o que deixava a iguaria bem cara.

Além do imperador, a Carceller era ponto de encontro de muitos jovens que se reuniam na confeitaria para degustar os pastéis, bolinhos e os famosos sorvetes, em meio a conversas animadas nas mesas e cadeiras colocadas do lado de fora da loja - costume dos bulevares parisienses, possivelmente introduzido no Rio pela Carceller.

Homem em terno clássico e mulher em vestido longo olham-se em gravura preto e branco.Descrição da imagem: A imagem é uma gravura em preto e branco. Do lado esquerdo, vemos um homem vestindo um terno clássico com colete e chapéu alto. Ele está sentado e segurando um cachimbo. Do lado direito, há uma mulher de pé, usando um vestido longo e um chapéu adornado com flores. Ela está olhando para o homem. Ao fundo, vemos uma construção com colunas e uma árvore. Abaixo da imagem, há um texto em português escrito em preto sobre fundo branco.

A Carceller, citada em charge da Semana Ilustrada - 1866. Ed. 283 - Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional

A obra de Machado de Assis é repleta de menções à confeitaria, desde as conversas sobre política de Valério, do conto de mesmo nome (1874), ao diário do protagonista de Memorial de Aires (1908). Políticos influentes do período também se encontravam na Carceller para debater assuntos, como a crise diplomática entre o Império do Brasil e o Reino Unido (Questão Christie, 1862-65) e, segundo Heitor Lyra, por vezes, em frente à confeitaria, ​​"falara [...] o Imperador ao povo, que o aclamara, da portinhola da carruagem que o conduzia ou trazia do Paço."

A confeitaria ficava na rua Direita perto da rua do Ouvidor, tornando a região conhecida como Boulevard Carceller. Era dali que partiam os bondes puxados a burro com destino a São Cristóvão.

Cartão-postal colorido do Boulevard Carceller em Rio de Janeiro.Descrição da imagem: Esta imagem é um cartão-postal colorido representando o Boulevard Carceller em Rio de Janeiro. A cena mostra uma rua com construções históricas à esquerda, incluindo prédios com arquitetura clássica e detalhes ornamentais. À direita, há uma praça com uma estrutura coberta por telhas vermelhas e uma árvore verde. No centro da imagem, há uma carruagem de dois cavalos puxando um vagão vermelho. Pessoas caminham pela rua e estão em frente às construções. O céu é azul com algumas nuvens brancas. Na parte inferior da imagem, está escrito "Boulevard Carceller" e "Rio de Janeiro".

O Boulevard Carceller - autoria desconhecida

1 Cf. LYRA, 1939.

Referências bibliográficas:

HEMEROTECA Digital da BN. Semana Ilustrada (RJ) - 1865. Ed. 223, p. 2 LYRA, Heitor. História de Dom Pedro II - 1825-1891. Vol. 2 - Fastígio. Companhia Editora Nacional. São Paulo - Rio - Recife - Porto Alegre: 1939. REVISTA do IPHAN, nº 10, 1946, pp. 193 e 295. Disponível em: http://docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=reviphan&pagfis=3448

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