CGTconvocagrevegeraldostrabalhadores

Tempo de leitura 2 min

Rio Memórias

31 de março de 1964

Giovana Vitória Martins Dotta

Reunido no Sindicato dos Estivadores e cercado pela polícia da Guanabara, o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) alertou em nota sobre a articulação de um golpe de Estado contra João Goulart. Conclamava os trabalhadores urbanos e rurais a se prepararem para estabelecer uma greve geral em todo o país, em defesa das liberdades democráticas.

Formada pela Confederação dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Marítimos, Fluviais e Aéreos (CNTTMFA) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec), a CGT era aliada do projeto das Reformas de Base, defendidas por João Goulart. Diante das mobilizações que vinham ocorrendo desde o comício de 13 de março, a sublevação dos marinheiros e a reunião dos sargentos, a possibilidade de uma ofensiva militar tornava-se cada vez mais concreta. Goulart manifestara-se favorável não apenas à reforma agrária, mas também à reforma tributária, à reforma eleitoral ampla, ao voto do analfabeto e à elegibilidade de todos os brasileiros.

Na fatídica noite do dia 31 de março, a posição do Comando era de que a greve deveria ser radicalizada e estendida a todo o país. Em consequência da intensa repressão militar, a adesão à greve não obteve o resultado esperado. Na madrugada de 1º de abril, vinte dirigentes do CGT foram presos pela Polícia Militar da Guanabara no Sindicato dos Ferroviários. Nos dias posteriores ao Golpe, diversos militantes e sindicalistas foram presos sumariamente em todo o país. Por meses, ficaram em estádios e clubes. Polícia e Exército ocuparam os maiores sindicatos do Rio. Organizações de trabalhadores foram desarticuladas e proibidas.

Manifestação com cartazes e prédios antigos ao fundo.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia preto e branco de uma manifestação. Na parte central, vemos um homem segurando um cartaz com as letras "C.G.T." e "É LEGAL" em destaque. À esquerda, outros participantes carregam faixas com inscrições que não são totalmente legíveis. Atrás do grupo, há prédios antigos com janelas e portas. À direita, um homem de terno está observando a manifestação.

Passeata no Rio comemora a criação do CGT. Agosto de 1962. Acervo Biblioteca Nacional.

Imagem 1 de 3: Passeata no Rio comemora a criação do CGT . Agosto de 1962. Acervo Biblioteca Nacional.