CarrinhodeRolimã

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Rio Memórias

Uma febre tomou conta das ladeiras do Rio de Janeiro nos anos 1960 e 1970: as corridas de carrinhos de rolimã. Elas atraíam os cariocas de todas as regiões e, por duas décadas, foram a trilha sonora que despertava a cidade pela manhã. Embora não haja registros da origem da brincadeira, é provável que ela tenha sido inspirada nos carrinhos de carretos usados nas feiras livres. Eles eram feitos de caixotes de madeira, com rodas de bilha nas extremidades e dois pedaços de madeira presos nas laterais e que serviam para empurrar.

Feira livre com carrinhos de rolimãs e pessoas caminhando.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma feira livre. A imagem mostra várias pessoas distribuídas ao longo de um mercado aberto. Na parte frontal, vemos carrinhos de rolimãs com mercadorias expostas. À esquerda, um homem está sentado em seu carrinho, enquanto à direita, outros indivíduos estão organizando seus itens. No fundo, há barracas e pessoas caminhando entre elas. Os edifícios e árvores são visíveis no fundo, dando contexto ao ambiente urbano.

Carrinhos de feira livre – Mário Farias. Facebook O Passado do Rio

A nova brincadeira não foi tão bem-recebida em algumas regiões do Rio, especialmente na zona sul. A corrida, que consistia em descer uma ladeira a bordo do carrinho de rolimã, muitas vezes, terminava em ruas com grande movimentação de carros e pessoas.

Gravura preto e branco com carrinho de rolimã sendo empurrado.Descrição da imagem: A imagem é uma gravura em preto e branco. Do lado esquerdo, há um galho com dois corvos sentados. Ao fundo, há uma casa e uma estrada curvada. Na parte direita, um carrinho de rolimã está sendo empurrado por uma pessoa. Acima do carrinho, há um dispositivo que parece ser um tipo de máquina ou ferramenta. No canto inferior, está escrito "CARRINHO DE ROLIMÃ (ROLAMENTO) ALCIDES 30-7-20".

Corrida de carrinho de rolimã – Gravura de Alcides Oliveira

Além do barulho e dos riscos à segurança dos praticantes e dos pedestres, moradores reclamavam da presença de apostadores. De uma diversão para crianças e adolescentes, o rolimã passou a atrair adultos frequentadores de casas de aposta e, assim, surgiram os pegas.

As queixas de parte da população e os muitos registros de acidentes levaram à forte repressão policial nas ruas do Rio. Na década de 1980, as corridas começaram a perder espaço e importância no dia a dia da cidade.

A chegada dos brinquedos eletrônicos contribuiu para deixar mais uma brincadeira de rua para trás, mas a tecnologia também foi responsável pelo retorno dos carrinhos de rolimã. Há alguns anos, pais e filhos voltaram a se reunir para descer as ladeiras do Rio. Em bairros da zona oeste (Campo Grande, Santa Cruz e Realengo), a paixão pelo rústico brinquedo de madeira e rodinhas está em alta. Agora, os carrinhos contam com freio e maçaneta, e os praticantes usam equipamentos de segurança pessoal, como capacete e luvas. Avante!

Crianças brincam com carrinhos de rolimã em Campo Grande, na zona oeste do Rio. Portal Giro

Crianças brincando com carrinhos de rolimã em uma rua verde.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia de crianças brincando com carrinhos de rolimã em uma rua. Do lado esquerdo, há um muro verde com algumas folhas de árvore. À frente, vários meninos e meninas estão sentados ou de pé, segurando seus carrinhos de rolimã. Alguns estão sorrindo e conversando. No centro, um garoto está de pé, segurando seu carrinho. À direita, mais crianças estão sentadas, olhando para frente. O fundo apresenta um prédio verde com alguns cartazes pendurados.

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