Cariocasrecebemmilitaresgolpistasnocentrodacidade

Tempo de leitura 2 min

Rio Memórias

1º de abril de 1964

João Carlos Starling

Para grande parte da população da Guanabara naquele dia 1º de abril, a chegada das tropas era esperada. A marcha foi amplamente noticiada pelos rádios e jornais da época, e os moradores do Rio de Janeiro acompanharam com ansiedade o desenrolar da ação que poderia determinar se a cidade seria palco de um conflito armado. No dia anterior, muitos moradores correram aos mercados para comprar comida, estocar e se preparar para os diferentes cenários que poderiam surgir. A primeira página do Jornal do Brasil acendeu o alerta: “S. Paulo adere a Minas e anuncia marcha ao Rio contra Goulart”.

O levante militar contra o presidente da República até que era bem-visto por certas camadas da sociedade carioca. Sobretudo pela classe média, que percebia uma completa desordem na condução do governo federal, fator considerado fundamental para a crise econômica e social. Mesmo quando o governo não apoiava movimentos de esquerda, sua postura era vista como insuficiente para tranquilizar os receios de uma possível revolução socialista no Brasil.

A chegada relativamente tranquila dos tanques e caminhões sem indícios de conflito armado foi bem recebida. A perspectiva geral era de que a tão almejada intervenção militar havia finalmente chegado, trazendo a estabilidade, a proteção da democracia e o afastamento do fantasma do comunismo.

Famílias foram às ruas, com olhares curiosos, para receber os tanques, caminhões e tropas que, aos poucos, tomavam conta da paisagem da cidade. O clima geral era de celebração pela iminência do golpe de Estado contra o presidente Goulart. Por isso mesmo, as movimentações militares pelas principais vias do Rio de Janeiro naquele 1º de abril foram recebidas por muitos civis como algo semelhante a um desfile militar, uma ocasião para demonstrar patriotismo.

Tanque militar em cena urbana, menino com capacete, soldados e edifício ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma cena urbana. No primeiro plano, há um tanque militar parado na rua, com o texto "R Rec Mec EBII - 796" na parte superior. À frente do tanque, um menino pequeno está de pé, usando um capacete de plástico. Ao lado dele, estão soldados uniformizados, alguns olhando para o tanque. Ao fundo, há um edifício grande com muitas janelas. Atrás dos soldados, uma pessoa está fotografando a cena.

Rio de Janeiro, 1º de abril de 1964. | Fotógrafo desconhecido. Agência O Globo