Anna Carolina Viana
No ano de 1964, tudo indicava aos cariocas que o Carnaval seria inesquecível. “Sete transatlânticos repletos de turistas [...] deverão chegar até o Carnaval à Guanabara”, narrava o jornal
Última Hora
. O motivo? No dia 4 de fevereiro já estava no Rio a atriz italiana Elsa Martinelli, que estreou no cinema hollywoodiano em meados da década de 1950 e ganhou a fama com atuações em filmes como
Hatari!
(1962) e
The V.I.P.s
(1963), de sucesso internacional. Martinelli chegou acompanhada de seu noivo, o fotógrafo italiano Willy Rizzo. Também estavam na Guanabara o playboy dominicano Porfírio Rubirosa, diplomata e piloto automobilístico, conhecido por seu estilo de vida luxuoso, e sua esposa, a atriz Odile Rubirosa, que dividiu a cena com a francesa Brigitte Bardot no filme
A Mais Linda Vedete
(1955). Era um verdadeiro Carnaval de estrelas – e ele não acabava por aí: ainda chegaria ao Rio o ator Alberto Sordi, que foi alçado à fama internacional ao protagonizar uma série de filmes de produção italiana. O grupo iria participar do baile de gala do Copacabana Palace e Elsa, Porfírio e Alberto integrariam ainda o corpo de jurados do concurso de fantasias do hotel.
De fato, não houve decepções: o Copacabana Palace ofereceu “um dos bailes mais animados da cidade” com, pelo menos, 4 mil foliões e um total de 180 músicos. A folia foi longa e durou das 22h da noite de sábado até as primeiras horas da manhã de domingo. A festa frustrou as expectativas do Secretário de Segurança do governador Carlos Lacerda, o coronel reformado Gustavo Borges, que havia encomendado um policiamento para a ocasião com um objetivo bem específico: proibir o beijo na boca. Mas o
Última Hora
foliões venceram a polícia do Rio: beijo foi na boca
Contagiado pelas escolas de samba, Alberto Sordi entrou no meio do desfile e foi vaiado pela multidão, mas não perdeu o bom-humor e seguiu acenando e sorrindo.
Rio de Janeiro, fevereiro de 1964, Autor desconhecido. Revista Intervalo/Fundação Biblioteca Nacional.