AssassinatodoestudanteEdsonLuís

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Pauliane de Carvalho Braga

O novo Restaurante Central dos Estudantes, inaugurado em 1967, nas proximidades do aeroporto Santos Dumont, era um enorme galpão com capacidade para dez mil pessoas. Mais conhecido como Calabouço, atendia a alunos carentes, em especial, secundaristas e vestibulandos, e era mantido com verba do Governo Federal. Embora barata, a comida era ruim e o local, insalubre.

Grupo de pessoas reunidos em reunião ou café, conversando e interagindo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de um grupo de pessoas reunidas em uma mesa, possivelmente em um ambiente de reunião ou café. A imagem está em foco na parte frontal, com várias pessoas sentadas em cadeiras, conversando e interagindo. À esquerda, vemos um homem de óculos escuros e camisa listrada, seguido por outro homem de camisa xadrez. Mais à direita, há outra pessoa de camisa xadrez, também de óculos escuros. No fundo, outras pessoas estão sentadas em mesas diferentes, ocupando o espaço do ambiente.

O restaurante conhecido como Calabouço reunia milhares de estudantes por dia e se tornou local de diversas manifestações

30/03/1968 – Milton. Fundo Correio da Manhã/Arquivo Nacional.

Com frequência, os estudantes organizavam passeatas para protestar contra as más condições, como aconteceria no dia 28 de março de 1968. Dessa vez, contudo, foram surpreendidos pelas viaturas policiais que cercaram o local. Os manifestantes reagiram atirando pedras; a polícia, rajadas de metralhadora. No embate, seis pessoas foram feridas. Uma delas, fatalmente, no peito: o estudante Edson Luís de Lima Souto, de 18 anos.

Menino - Milton Nascimento, 1976

O jovem foi carregado por seus colegas do Calabouço até a Assembleia Legislativa, onde uma plenária com 55 deputados foi interrompida. O corpo de Edson Luís foi estendido no saguão do prédio, tornando público e inquestionável o assassinato cometido pela polícia. O movimento estudantil decretou greve geral, os teatros suspenderam seus espetáculos e, durante a noite, centenas de pessoas compareceram ao velório.

Populares guardavam respeitoso silêncio ou simplesmente aderiam ao chamado dos estudantes à participação no enterro de Edson Luís – 29/03/1968. Fundo Correio da Manhã/Arquivo Nacional.

Funeral em preto e branco com multidão e caixão.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de um funeral. Na parte superior, há um edifício com janelas grandes e uma placa que lê "CORACÃO DE LUTO". A placa está acima de uma multidão que parece estar participando de um funeral. Pessoas estão carregando um caixão coberto por uma capa. À esquerda, há mais pessoas observando o evento. No fundo, outros espectadores olham pela janela do edifício.

Na manhã seguinte, os jornais cariocas estampavam em suas manchetes “Assassinato”. Questionava-se a morte de um estudante ‘inocente’, que não era militante nem ‘subversivo’. Às 16h, mais de 50 mil pessoas participaram do cortejo que levou o corpo de Edson Luís ao cemitério São João Batista, em Botafogo. O caixão, coberto com a bandeira do Brasil, foi carregado por estudantes, deputados e artistas, que entoavam o Hino Nacional. Rosas foram jogadas do alto dos edifícios. Na multidão, cartazes com os dizeres “Os velhos no poder, os jovens no caixão”, “Bala mata fome?” e, talvez, o mais emblemático: “Mataram um estudante. Podia ser seu filho”.

O assassinato de Edson Luís mobilizou amplos setores sociais contra as violências cometidas pela Ditadura Militar. Fundo Correio da Manhã/Arquivo Nacional.

Manifestação pública com cartazes em português.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma manifestação pública. A imagem mostra uma multidão密集拥挤的人群, com muitos participantes segurando cartazes. Os cartazes contêm mensagens em português, como "Jornalistas contra o crime oficial" e "Artistas contra ditadura". A disposição espacial é horizontal, com os cartazes sendo mais proeminentes no centro e à frente dos participantes. Todos parecem estar concentrados em algo fora da imagem, possivelmente em direção à câmera.

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Memória 1 de 4: O golpe que instaurou a ditadura civil-militar