AsladeirasdoMorrodoCastelo

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Rio Memórias

Se o Rio se ergueu como uma típica cidade portuguesa – com as principais instituições políticas, administrativas, de defesa e religiosas no topo do morro – foi aos pés do Morro do Castelo que surgiu a vida cotidiana, com um comércio incipiente e algumas casas. E isso foi possível graças à abertura de uma ladeira, aberta quase ao mesmo tempo que o núcleo da cidade: a Ladeira da Misericórdia.

Rua com casarios históricos e edifícios variados.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma rua em um bairro com casarios históricos. Do lado esquerdo, há um edifício com fachada clara e janelas regulares. Ao fundo, outros prédios mais altos e antigos se elevam. À direita, há uma construção mais baixa com telhado inclinado. No centro, uma pequena estrutura com telhado de telhas é visível. Árvores estão espalhadas no primeiro plano, e uma pessoa caminha pela rua.

Largo e ladeira da Misericórdia, Augusto Malta, 1922. A torre da igreja dos jesuítas no alto. (Divisão de Iconografia/Fundação Biblioteca Nacional)

No início da formação urbana do Rio de Janeiro, a Ladeira da Misericórdia foi a única via de acesso ao morro do Castelo, que, em suas dimensões, chegava até as atuais ruas São José, Santa Luzia e México e ao Largo da Misericórdia. A partir da expansão urbana e da descida em direção à várzea, outros dois acessos foram abertos: as ladeiras do Carmo e do Seminário.

Mapa digital de uma cidade brasileira, focando no centro com destaque para o Largo da Misericórdia e o Museu Naval.Descrição da imagem: A imagem é um mapa digital, possivelmente de uma cidade brasileira, com destaque para o centro. À esquerda, vemos ruas e prédios marcados com ícones azuis e verdes. À direita, há um grande corpo d'água, representando o mar. No centro, destacam-se duas áreas importantes: "Largo da Misericórdia" e "Museu Naval". O percurso traçado em azul começa perto do "Paço Imperial", passa por "Rua São José, 8 - Centro" e termina perto do "Largo da Misericórdia". A duração estimada do trajeto é de 24 minutos, com uma distância de 1,7 km.

Os limites do Morro do Castelo, caso ele ainda existisse. Google Maps.

A da Misericórdia foi a única das três ladeiras que teve um trecho preservado após a demolição do Morro do Castelo, concluída em 1922. Esse pequeno trecho de 40 metros resistiu ao tempo e preservou seu calçamento, feito em pé de moleque – pedras de tamanhos irregulares – por escravizados. Atualmente, a Ladeira da Misericórdia ocupa um pequeno espaço ao lado da Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso (uma das mais antigas da cidade) e do prédio do hospital da Santa Casa da Misericórdia. Em 2017, o trecho foi tombado pelo IPHAN por ser um dos mais importantes vestígios do surgimento da cidade.

Uma rua histórica com construções antigas e palmeiras ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga de uma rua em "As ladeiras do Morro do Castelo". Do lado esquerdo, vemos uma pequena construção com grades e uma escada. À frente, há um homem caminhando na calçada. No centro, há uma grande casa com varandas e janelas decoradas com cordas. À direita, há mais uma construção com arcos e uma árvore em frente. No fundo, vemos uma linha de palmeiras altas. O céu está claro e o solo é de cor clara.

Ladeira do Seminário em 1904. Foto de João Martins Torres. Acervo: Instituto Moreira Salles

As ladeiras do Carmo e do Seminário não foram preservadas. A do Seminário teve outros nomes: Ladeira do Poço do Porteiro, da Mãe do Bispo e da Ajuda, e descia em direção às atuais Cinelândia e Avenida Rio Branco. A Ladeira do Carmo (também do Cotovelo ou do Colégio) ia em direção ao topo do morro, no Colégio dos Jesuítas. As instalações do Colégio foram utilizadas para outras funções após a expulsão dos Jesuítas, em 1759. Foi Hospital Militar (anos 1760) e, depois, Observatório Astronômico (1846), que incluía um posto de sinais para comunicação com as fortalezas da Baía de Guanabara. Em 1922 o prédio do Colégio veio abaixo junto com o morro.

Cidade histórica com vista panorâmica, edifícios e igrejas.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia histórica em preto e branco de uma cidade com uma vista panorâmica. A imagem mostra uma série de edifícios dispostos em uma colina, com uma ladeira que desce do topo à base da colina. Na parte inferior da imagem, vemos uma igreja com cúpulas e torres, identificada como a Igreja São José. À medida que nos movemos para cima e para trás na imagem, vemos mais construções residenciais e comerciais, incluindo prédios de vários andares. No fundo, há uma série de casas e edifícios que se estendem até o topo da colina. À direita, há uma fortificação ou edifício de destaque. A ladeira do Carmo ou do Colégio é claramente visível, com a Igreja dos Jesuítas localizada no final dela.

Ladeira do Carmo ou do Colégio, Augusto Malta, 1922. As igrejas São José, em primeiro plano, e a dos jesuítas ao fim da ladeira. (Divisão de Iconografia/Fundação Biblioteca Nacional)

Referências:

BEZERRA, Rafael Z., LENZI, Maria I., JOÃO, Cristiane R. V. (orgs.) Tão importante, tão esquecido: bairro da Misericórdia. Rio de Janeiro: Museu Histórico Nacional, 2016

LENZI, Maria I. R. O antigo bairro da Misericórdia. In FERNANDES, Neusa et alii. Cantos e encantos do Rio. 1ª ed. Rio de Janeiro: Mauad X, 2022.

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Memória 1 de 4: Entre quatro colinas