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Rio Memórias

Quem passa pelo Arco do Teles no Centro do Rio embarca numa viagem de volta ao Brasil Colônia. A construção, datada de meados do século XVIII, liga a Praça XV à Rua do Ouvidor, sobreviveu aos processos de urbanização do centro e foi tombada como Patrimônio Histórico pelo IPHAN em 1938.

A história do Arco começou por volta de 1740, quando a construção da Casa dos Governadores (atual Paço Imperial) valorizou muito a região. Diante disso, o juiz português Francisco Telles de Menezes (o “juiz dos órfãos”) comprou alguns terrenos do outro lado da Praça XV e encomendou a José Alpoim – arquiteto responsável pela obra do Paço – a construção de um conjunto de luxuosas casas. Edificados sobre um arco, permitindo a passagem entre a Praça e o Beco do Comércio, o local passou a ser conhecido como Arco do Teles, em referência ao proprietário.

Grupo de pessoas caminhando em frente a edifício tradicional.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de um grupo de pessoas caminhando em frente a um edifício com arquitetura tradicional. Do lado esquerdo, há uma grande entrada arqueada, enquanto à direita estão varandas com grades. As pessoas estão distribuídas no primeiro plano, com alguns homens vestindo ternos e uma mulher usando um vestido escuro. À direita, há mais pessoas caminhando, incluindo um homem de camisa branca e calça preta. O edifício tem várias janelas e portas, e ao fundo, parte de outro prédio é visível.

Arco do Teles, sem data. Fotógrafo não identificado. Acervo Biblioteca IBGE

No início, a família Telles de Menezes residiu nas casas sobre o Arco mas, a partir de 1759, o prédio passou a ser utilizado pelo Senado da Câmara. Em 1790, um incêndio destruiu a construção e o arquivo do Senado, causando a perda de importantes documentos históricos sobre as doações e posses de terra na cidade. Depois da tragédia, apesar das reformas dos prédios, a passagem do Arco se tornou local de moradia para moradores de rua, malandros e prostitutas.

O abandono do lugar fez surgir algumas histórias que mais parecem lendas urbanas. Uma delas mistura ficção e realidade e conta sobre uma jovem portuguesa conhecida como Bárbara dos Prazeres(apelido advindo da imagem de Nossa Senhora dos Prazeres, colocada no interior do Arco), que chegou ao Brasil no fim do século XVIII, com cerca de 20 anos e, após matar seu marido e seu amante, teria passado a viver como prostituta nos arredores do Arco do Teles, ainda antes do incêndio. Ao envelhecer, Bárbara teria recorrido aos rituais de magia em que bebia o sangue de crianças e animais para resgatar a sua juventude, beleza e dinheiro, ficando conhecida, também, como “A Onça”.

Arco histórico em preto e branco, com árvores e edifícios ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de um arco histórico localizado em "Arco do Teles". A imagem mostra uma rua com árvores grandes à esquerda, que sombreadam a cena. Ao fundo, há um edifício com várias janelas e portas, algumas com grades. Pessoas caminham pela rua, e carros antigos estão estacionados. À direita, há um carro preto clássico.

Arco do Teles, sem data. Foto: José Joaquim de Sousa. Acervo Biblioteca IBGE

Histórias assustadoras à parte, cruzar o Arco do Teles é um mergulho na história do Rio. Hoje o Arco é muito frequentado pelas festas, bares e restaurantes que existem na região.

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