Apestebubônica(19001906)

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Helena Gomes

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No início do ano de 1900, a confirmação do primeiro caso de peste bubônica no Rio de Janeiro desencadeou medidas de contenção da doença semelhantes às ações colocadas em curso em epidemias anteriores. As operações envolviam a desinfecção de moradias e o isolamento de doentes e suspeitos de contaminação pela bactéria Pasteurellapestis, transmitida pela pulga do rato. Os navios que chegavam aos portos da capital da República eram submetidos aos resguardos, apesar das consequências econômicas negativas. Ainda assim, a partir de abril, novos casos foram diagnosticados e a doença continuou a se alastrar pela cidade.

O soro e a vacina antipestosos eram importados da Europa, então, para acelerar a produção e possibilidade de ampliar a aplicação foi criado o Instituto Soroterápico Federal. Seu laboratório foi construído na Fazenda de Manguinhos, que pertencia à prefeitura e se localizava na zona norte da cidade. Integrando a equipe técnica do Instituto estava o médico sanitarista Oswaldo Cruz.

Homem correndo com mãos levantadas cercado por ratos, mosquitos e esqueletos dançantes.Descrição da imagem: Esta é uma ilustração em preto e branco, possivelmente uma gravura ou caricatura, retratando um homem em um cenário de pânico. Do lado esquerdo, vemos um homem com barba e bigode, vestindo um terno clássico, correndo com as mãos levantadas. Ele está cercado por ratos e mosquitos. Ao seu lado, há dois esqueletos humanos, um deles com a inscrição "A Loura Jacobina" e "A Amarela" nas costas. Os esqueletos estão em posição de dança, com um gato pendurado no ombro do segundo esqueleto. Na parte inferior direita da imagem, há um texto que lê: "Praga do Povo". Abaixo do texto, há mais um parágrafo explicando a situação do personagem principal.

“Praga do povo” – charge sobre as manifestações populares de resistência às medidas de higienização da cidade. Acervo: Fundação Oswaldo Cruz

Com a eleição de Rodrigues Alves em 1902, a atenção do poder público naquele momento se dirigia ao plano de modernização da capital. O projeto previa uma reforma urbana e a erradicação das epidemias de febre amarela e varíola que assolavam o Rio de Janeiro – às quais a da peste bubônica se juntaria. A peste, relacionada ao imaginário dos males medievais, precisava ser controlada, o que forçou um direcionamento de recursos do governo para a saúde pública e pesquisa. Oswaldo Cruz, além de atuar como pesquisador do recém criado Instituto Soroterápico, assumiu a frente da Diretoria Geral de Saúde Pública, em 1903. Sua dupla função pública pôde alinhar às frentes de combate às epidemias: de um lado, pesquisa e produção do sérum profilático e, de outro, desenvolvimento das campanhas sanitárias e de higienização da cidade, com ações diretas de combate aos agentes transmissores e fiscalização das áreas de foco.

Instituto Oswaldo Cruz, 06/1904. Acervo: Fundação Oswaldo Cruz

Edifícios históricos com árvore e figura de cavalo, 1906.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga em preto e branco. Na parte esquerda, vemos um edifício com telhado inclinado e janelas. À frente dele, há uma árvore grande com folhas verdes. Do lado direito, há outro edifício similar, com varandas laterais. Pessoas estão caminhando pela área central, perto de uma cerca de madeira. Atrás delas, há uma figura de cavalo. No canto inferior direito, está escrito "FIOCRUZ Oswald" e "Casa de Oswaldo", seguido de uma data que parece ser "1906".

Em face das campanhas contra a febre amarela e a varíola, o empreendimento contra a peste bubônica foi melhor aceito pela população, com mais eficácia no tratamento por soroterapia que a vacinação das pessoas. Além disso, no auge da epidemia, em 1903, foi tomada uma medida que mobilizou a cidade. O governo passou a remunerar as pessoas que apresentassem ratos mortos aos órgãos públicos. A caça aos ratos, principais transmissores da doença, parecia um bom negócio. Além da coleta dos animais nas ruas, ficaram conhecidos à época os criadouros de ratos para serem entregues à incineração. Em meados de 1904, a suspeita da prática ludibriosa fez com que o comércio de ratos fosse brevemente suspenso. No entanto, o consenso em torno da eficácia da eliminação dos animais logo fez o governo retomar a prática.

"O comprador de ratos" - detalhe da foto - Revista da Semana, 11.08.1904. Hemeroteca Digital BN

Pessoa segurando sino, fundo de tijolos, legenda "O comprador de ratos".Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma pessoa segurando um objeto em forma de sino. A pessoa está de pé, vestindo um casaco e calças. O fundo parece ser uma parede de tijolos. Na parte inferior da imagem, há uma legenda que lê "O comprador de ratos".

Acompanhando as ações de desinfecção, isolamento e tratamento por soro, a caça aos ratos acabou surtindo efeito. Na medida em que mais ratos eram capturados, o número de óbitos decrescia. A epidemia foi perdendo força ao longo dos anos e, em 1906, a peste bubônica foi erradicada.

Charge - Jornal do Brasil, 11.08.1904. Hemeroteca Digital BN

Charge preto e branco de 1904 sobre ratos em uma cidade.Descrição da imagem: Esta é uma charge em preto e branco, datada de 11 de agosto de 1904, publicada no Jornal do Brasil. A imagem mostra dois homens em um cenário urbano. O homem à esquerda, vestindo um chapéu de cozinheiro, segura um rato morto. O homem à direita, usando um chapéu de fedora, está apontando para o rato. Ambos estão em pé em uma rua com construções ao fundo. O título da charge, "A Authenticidade dos Ratos", está escrito no topo da imagem.

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Memória 1 de 3: Mal do século: a tuberculose e seus efeitos no Rio de Janeiro