AnossaTaquara

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Leticia Marinho

Quem sou eu sem dizer de onde venho? Estudo no Leblon e quando falo sobre meu bairro, as pessoas me olham com dúvida, e quando alguns lembram, dizem que sou boba por estudar tão longe. Não é de hoje que sabemos sobre a atual situação do ensino público, mas nunca deixei de levar comigo, pra onde for, quem sou eu e o que me fez ser assim. A comida, as lembranças da infância, as idas ao mercado da rua vizinha... tudo me traz um enorme sorriso!

É tão confortador e alegre lembrar das corridas no dia de São Cosme e Damião. As crianças se juntavam e andavam pelo condomínio inteiro, várias vezes, as pessoas que vinham de carro porque sabiam que sempre estávamos aqui esperando por um saquinho de balas. Na minha rua, um senhor devoto sempre jogava dinheiro, dava um saco bem recheado de doces e ainda distribuía brinquedos. No final do dia, já estávamos enjoados de tanto doce, mas o cansaço era gratificante.

Imagem retirada de: @falamerck no Facebook - https://www.facebook.com/falamerck/

Rua em Taquara, Rio de Janeiro, com carros e pessoas caminhando.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de uma rua em Taquara, Rio de Janeiro. À esquerda, vemos um carro branco parado, seguido por um carro vermelho com pessoas em seu interior. À frente, há um grupo de pessoas caminhando em direção à esquerda. No fundo, há mais pessoas caminhando pela calçada e algumas árvores. À direita, há um carro cinza estacionado e uma pessoa de pé perto dele. O chão é de concreto e há lixeiras azuis e pretas ao longo da rua.

Sou nascida e criada na Taquara, já pensamos várias vezes em sair do condomínio onde moramos mas nunca deste bairro. Minha mãe é apaixonada por esse lugar e minha avó, nem se fala, a família toda está por perto e é só atravessar a rua, que encontramos mais um lanchinho.

Nunca fui muito de sair de casa, mas lembro das diversões em família e dos diversos doces que eu, minha avó e minha mãe fazíamos nos aniversários infantis.

Leticia - Autora do texto Foto de acervo pessoal

Criança sorridente em avental verde-amarelo, banco de madeira, carro preto, prédio com janelas grandes e grade metálica ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia de uma criança sorridente, vestindo um avental com detalhes em verde e amarelo. A criança está sentada em um banco de madeira, com um carro preto parado atrás dela. Ao fundo, há um prédio com janelas grandes e uma grade metálica.

Quando cresci, acabei saindo pra estudar fora da minha região de costume. Não foi fácil, mas não posso deixar de agradecer pelas inúmeras oportunidades que tive e as pessoas que me mostraram um caminho incrível. Vou e volto todos os dias, entre a Taquara e o Leblon são quase duas horas de viagem, mas chegando perto do ponto, sinto um alívio gigantesco em saber que cheguei na minha casa. Vários familiares meus, durante anos, fizeram esse mesmo trajeto porque estudaram na mesma escola que eu.

Meu pai e minha mãe moravam no mesmo condomínio mas nunca se encontraram, curiosamente acabaram se conhecendo. Os dois eram apaixonados

pelo vôlei da pracinha e cursavam Direito na Universidade do bairro. É engraçado andar por aqui, todos me conhecem e associam eu e a minha irmã aos meus pais, contando as histórias que passaram com eles na infância e na adolescência. Brincamos na mesma quadra em que eles se divertiam há 30 anos atrás, nada mudou mas, ao mesmo tempo, mudou tanto.

Mãe da autora do texto Foto de acervo pessoal

Menino caminhando em pátio com cadeiras de balanço.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga em preto e branco. Na imagem, vemos um menino caminhando em um pátio. À esquerda, há uma cadeira de balanço e, ao fundo, árvores e uma cerca. A direita, também há mais uma cadeira de balanço. O menino está usando calças compridas e uma camiseta branca.

Tenho tanta coisa pra dizer, mas fico sem palavras pelo emaranhado de sentimentos que sinto. BRT, cachorro-quente do Tião, Mercadinho Carioca, Ação Comunitária da Vitor Meireles, Sorveteria do Menguele, Capoeira do Mestre Barba... Não dá pra contar nos dedos a quantidade de vantagens que é ser moradora da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Minha vontade agora é comer um angu à baiana da praça enquanto escrevo.

É incrível ser carioca. Ter esses costumes, esse sotaque, o amor pelo lugar de onde viemos e não ter vergonha, é sem dúvida, uma dádiva!

Outras memórias

Memória 1 de 4: Mestre Stalone - projeto Lutando por um futuro melhor