Amaláriaeseusmales

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Marlon Marcelo

A malária é uma doença infecciosa causada pelo parasita Plasmodium e transmitida pelos mosquitos do gênero Anopheles. Os sintomas são febre alta, dores no corpo e, em casos mais graves, convulsões, hemorragias e morte. A maior incidência da doença ocorre em florestas tropicais e regiões pantanosas, por serem locais de proliferação do mosquito vetor. Esta moléstia esteve presente na região da Baía de Guanabara desde sempre. O clima tropical e a construção de uma cidade em meio à Mata Atlântica favoreceram a propagação da doença.

Até meados do século XIX, o tratamento mais eficaz para atenuar os sintomas da doença era a ingestão do quinino. Esta receita originária dos povos nativos do Peru era utilizada desde o século XVII nas Américas e foi exportada para Europa.

“É de-tardinha, quando as mutucas convidam as muriçocas de volta para casa, e quando o carapanã rajado mais o moçorongo cinzento se recolhem, que ele aparece, o pernilongo pampa, de pés de prata e asas de xadrez. Entra pelas janelas, vindo dos cacos, das frinchas, das taiobeiras, das bananeiras, de todas as águas, de qualquer lugar.

— Olha o mosquito-borrachudo nos meus ouvidos, Primo!...

— É a zoeira do quinino... Você está tomando demais...”

(Sarapalha, João Guimarães Rosa)

Os surtos da malária em diversas regiões do país transformaram a doença em uma questão de interesse nacional e mobilizaram diferentes centros médicos a aprofundar pesquisas. A Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro se destacou nos estudos e, nas décadas finais do século XIX, teses defendidas pela sua equipe de pesquisadores ajudaram a mapear as causas e as reações do protozoário no corpo humano. Os resultados dessas pesquisas possibilitaram a primeira campanha antimalárica exitosa na história da doença, realizada pelo médico sanitarista Carlos Chagas, em 1905, durante a construção das Docas do Porto de Santos.

Aula médica em preto e branco com paciente em maca, médico explicando e estudantes assistindo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma aula médica. Na parte frontal, há um paciente deitado em uma maca, coberto com uma toalha branca. À direita, um médico, vestindo um avental branco, está explicando algo ao grupo de estudantes. Os estudantes estão sentados em bancos, todos vestindo aventais brancos e chapéus. Atrás dos estudantes, há uma parede com prateleiras. No canto inferior direito, está escrito "de la Gaille".

Carlos Chagas durante aula no Pavilhão de Doenças Tropicais do Hospital São Francisco de Assis. Acervo: Instituto Oswaldo Cruz.[1934]. Rio de Janeiro.

Apesar das diversas campanhas de combate à malária e do intenso controle sanitário para diminuir a população do mosquito vetor, o Rio de Janeiro ainda assistiu a surtos da doença em diferentes momentos do século XX. Em 1922, um surto matou 6 mil cariocas e causou grande comoção. Nos anos seguintes, os jornais anunciaram os esforços do poder público para combater as mazelas da malária, eliminando a presença do mosquito transmissor na região rural de Santa Cruz. A enfermidade era tão presente nos debates médicos que, na XI Conferência Sanitária Pan-Americana realizada no Rio de Janeiro, em 1942, foi considerada “a doença que causou mais mal ao maior número de nações no mundo”.

Jornal O Globo, Rio de Janeiro, 1 de outubro de 1998, página 14. Acervo: O Globo.

Jornal sobre malária com ilustrações e texto explicativo.Descrição da imagem: A imagem é um jornal com texto e ilustrações sobre a malária. Está em preto e branco. No topo, há um título grande em destaque: "O mosquito da malária está de volta". Abaixo, há um subtítulo menor: "Sétimo registro da doença neste ano é feito numa região de mata em Cachoeiras de Macacu". O autor do texto é Daniela Matta. A página contém várias ilustrações e texto explicando sobre o mosquito Anopheles, seu ciclo de vida, a transmissão da doença e os sintomas. Há também instruções sobre medidas de proteção e tratamento.

Até a década de 1970, o combate ao mosquito vetor era feito com a aplicação de inseticidas à base de DDT, que foram abandonados devido aos danos do veneno ao meio ambiente e possíveis efeitos cancerígenos. Esse método reduziu o número de casos nos centros urbanos, mas eles se mantiveram nas áreas rurais e silvestres.

Belisário Penna (à esquerda) e outros em frente ao Posto Sanitário de Guaratiba, entre 1918-1923. Acervo: Fundação Oswaldo Cruz. Casa de Oswaldo Cruz.

Grupo de pessoas em frente a Posto Sanitário, com edifício e vegetação ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de um grupo de pessoas em frente a um edifício. Do lado esquerdo, vemos uma pessoa de pé, seguida por outras figuras humanas distribuídas em frente ao edifício. O edifício tem uma fachada clara com uma placa que lê "Posto Sanitário". À direita, há mais pessoas em pé, incluindo um homem de chapéu. O fundo mostra uma vegetação densa.

Também conhecida como “febre terçã”, a malária voltou a assombrar o Rio de Janeiro entre os anos de 1975 a 1995. Na segunda metade do século XX, os surtos de malária no Rio passaram a ser considerados endêmicos, ou seja, restritos a determinados locais. Já no século XXI, turistas e aventureiros que visitaram a região serrana do estado, acabaram infectados pelo protozoário e a enfermidade voltou a preocupar moradores do centro urbano.

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