Ahoradorush

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Rio Memórias

Hora de ponta em Portugal, horário de pico ou de pique, hora do rush. Com a palavra, nosso mestre carioca Antonio Houaiss (1915-1999) — entre outras especialidades, dicionarista e enciclopedista —: o substantivo masculino rush, do inglês, significa “esforço final, aceleração de um corredor no final da competição; afluxo brusco de uma grande quantidade de veículos (= hora do rush); grande afluência coletiva que visa obter uma finalidade [...].” Pois assim passou a ser, em toda grande cidade do planeta, a partir do advento das metrópoles. Pela manhã e à noitinha. De manhã, era sempre a preocupação de chegar na hora, o pensamento nas tarefas do dia. Para muitos, inclusive entre aqueles pendurados nos estribos, havia o cuidado especial no transporte da marmita.

Trem lotado em cena urbana, edifícios ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma cena urbana. Na parte esquerda, há um trem cheio de pessoas agarradas nas grades, ocupando praticamente toda a extensão do veículo. À direita, há um grande edifício com varandas e janelas. O céu está claro, e fios de energia elétrica cruzam o ar. No fundo, outros prédios são visíveis.

Avenida Presidente Vargas – 22/04/1954 – Fotógrafo não identificado

E à noitinha, na volta para casa, muitas e muitos, naqueles bondes, já iam antecipando os acontecimentos à frente... a família, filhos, a rotina da noite. Outras e outros, pensando naquela passada pelo boteco, para uma boa conversa e, quem sabe, algo mais. Isto, sem falar daqueles que já tinham cumprido o ritual diário (ou quase) ali por perto do trabalho mesmo, para depois encarar o bonde. E quem ia pendurado no estribo tinha que ficar esperto; apesar de todo o cuidado dos motorneiros, o risco – convenhamos – era razoável. Afora este risco e o desconforto de quem ia pendurado e conformado, estas imagens guardam uma certa beleza, no sentido da vitalidade e da unicidade nelas existentes. Cada bonde tornava-se coeso; todos os passageiros pensando e almejando o mesmo objetivo – chegar! E o motorneiro era o guia, o líder, que ao longo de sua rotina diária ia aprendendo, assimilando algo acerca dos passageiros que transportava; do subir e descer do bonde.

Bonde lotado em Tijuca, Rio de Janeiro.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma cena urbana com um bonde lotado parado na rua. À esquerda, há uma fila de pessoas aguardando para embarcar no bonde, que está cheio de passageiros. No centro, o bonde tem o número "2037" e a placa "Tijuca" acima do motorista. À direita, há uma pessoa caminhando na calçada. Ao fundo, há edifícios antigos com janelas iluminadas.

Bonde 66 [Tijuca] – 15/05/1905 – Fotógrafo não identificado

A hora do rush e a paz da noite que se seguia sempre foram um momento memorável do Rio. Mas é claro que muita gente trabalhava noite adentro, para que a cidade seguisse funcionando como uma máquina que não para jamais. Nesta fotografia, o velho bonde 62 que ia rumo ao Méier – ainda grafado com ipsilon ou i grego àquela época; uma homenagem ao velho camarista Meyer, português de família originária da Alemanha.

Cena urbana noturna com aglomeração de pessoas caminhando para trem.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de uma cena urbana noturna. À esquerda, vemos uma aglomeração de pessoas caminhando em direção a um trem. No centro, o interior do trem está iluminado, revelando passageiros sentados e de pé. À direita, o exterior do trem é visível, com a placa "MEYER" e o número "1825" em destaque.

Bonde 62, Méier – 1955 – Fotógrafo não identificado