Acidadedarazãoedocálculo

Tempo de leitura 4 min

Rio Memórias

Após a morte do governador Gomes Freire, em janeiro de 1763, e a transformação da cidade na capital da Colônia, o processo de modernização do Rio de Janeiro, iniciado em 1733, se acentuou. D. Antônio Álvares da Cunha - o conde da Cunha - assumiu as funções de vice-rei (1763-1767), completando as obras de Gomes Freire. Sua principal contribuição foi a cobertura da rua da Vala com lajes de pedra, a fim de eliminar o cheiro fétido que incomodava a população.

Gravura colorida de paisagem urbana com árvore, aqueduto e pessoas caminhando.Descrição da imagem: Esta é uma gravura colorida representando uma paisagem urbana. Do lado esquerdo, há uma grande árvore com folhas largas e um tronco curvo. Ao fundo, há um aqueduto com arcos, construído sobre uma colina. A cidade está localizada abaixo do aqueduto, com várias casas e edifícios espalhados pela área. À direita, há uma colina com vegetação densa e uma construção com torre no topo. No centro, há uma estrada que corta a paisagem. Na parte inferior da imagem, três pessoas caminham em direção à esquerda. O texto na imagem lê: "The Aqueduct in Rio de Janeiro".

Aqueduto da carioca em 1812 - pintura de George Cooke. O aqueduto foi reconstruído no governo de Gomes Freire de Andrade, em 1744.

Imbuídos dos ideais iluministas, o marquês do Lavradio e o conde de Figueiró (D. Luís de Vasconcelos e Sousa) foram os vice-reis que mais atuaram na modernização e ampliação da cidade. D. Luís D’Almeida Mascarenhas - segundo marquês do Lavradio - assumiu o vice-reinado em 1769 e ocupou o cargo por 10 anos. Durante esse período, ampliou a área urbana em direção ao Campo de Santana e à Cidade Nova, abrindo novas ruas, além de construir o chafariz da Glória.

Retrato de homem do século XVIII em trajes formais, com medalha e assinatura.Descrição da imagem: Esta é uma gravura em preto e branco. No centro da imagem, vemos um retrato de um homem vestindo trajes formais do século XVIII. Ele está de perfil para a esquerda, com cabelos grisalhos presos em um coque. Sua roupa inclui um casaco com detalhes bordados e um colar de corrente. Na parte superior do peito, vê-se uma medalha com uma cruz centralizada. Ao fundo, há uma assinatura e alguns números e letras em estilo caligráfico.

Marquês do Lavradio, segundo vice-rei da colônia.

A fim de retirar do lugar mais central da cidade o desembarque e o comércio de africanos escravizados (Largo do Carmo, atual Praça XV), em 1774, o Marquês do Lavradio determinou a transferência do porto para a região da Saúde, no Valongo. Mas, apesar de receber escravizados desde aquele ano, o cais do Valongo só foi efetivamente construído em 1811, sendo a única obra de infraestrutura portuária feita em pedra durante o reinado de D. João VI no Brasil.

Em 1779, D. Luís de Vasconcelos e Sousa assumiu o cargo de vice-rei e complementou a urbanização do Largo do Carmo com calçamento, criação do cais de granito trabalhado – uma referência ao cais de Lisboa – e substituição do chafariz de Gomes Freire pelo Chafariz da Pirâmide (1789), construído pelo Mestre Valentim. Reformou a Casa da Alfândega e aterrou o Campo dos Ciganos (atual Praça Tiradentes), anexando-o à cidade e incentivando a construção de casas ali, transformando a paisagem da região.

Gravura em preto e branco de um largo com construções históricas.Descrição da imagem: Esta é uma gravura em preto e branco que retrata um largo com construções históricas. Do lado esquerdo, vemos edifícios de estilo clássico, enquanto no centro está um monumento com cúpula e detalhes ornamentais. À direita, há uma capela com torres e uma construção branca com janelas. No fundo, há mais edifícios e uma estrutura arquitetônica complexa. Pessoas estão distribuídas pelo local, algumas sentadas no chão e outras caminhando. No canto inferior, está escrito "Largo do Paço, Palácio, Capela Imperial e Carmo."

Chafariz do largo do Carmo, projetado pelo Mestre Valentim, em 1860.

Vasconcelos e Sousa consolidou a expansão da área urbana em direção ao sul, com o aterramento da Lagoa do Boqueirão da Ajuda - a partir do desmonte do morro das Mangueiras - e a construção do primeiro jardim público da colônia, o Passeio Público. Todo o processo de aterramento, construção e embelezamento ficou sob a responsabilidade do Mestre Valentim da Fonseca e Silva e das dezenas de cativos prisioneiros do Calabouço, utilizados como mão de obra pelo poder público.

A criação do Passeio estabeleceu a transição do estilo barroco para o neoclássico. Construído na forma de um quadrilátero murado e recortado por alamedas retilíneas, foi arborizado por espécies tropicais que garantiam sombra aos visitantes. Seguindo o eixo da alameda principal, o portão de entrada se abria para a rua das Belas Noites (depois rua das Marrecas), que acabava no chafariz das Marrecas – outra obra de Mestre Valentim. No fim do jardim, à beira-mar, havia um terraço retangular projetado pelo capitão Francisco dos Santos Xavier – o Xavier das Conchas – pavimentado com lajes de pedra, cercado de muretas em forma de bancos de alvenaria, com encosto de azulejos. Em cada extremidade desse terraço, havia um pavilhão: o primeiro dedicado a Apolo, com interior decorado com penas, e o segundo, a Mercúrio, decorado com conchas. Além das penas e conchas, o interior dos pavilhões recebeu a arte de Leandro Joaquim, que criou um conjunto de paisagens para retratar o cotidiano e as festas da cidade. O terraço foi demolido na gestão do prefeito Pereira Passos, no início do século XX, por ocasião da abertura da avenida Beira-Mar.

Pátio antigo com mesas e cadeiras dispostas em fileiras.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia antiga de um pátio com mesas e cadeiras dispostas em fileiras. À esquerda, vemos uma série de mesas e cadeiras em frente a uma construção com janelas. No centro, há um grande vaso decorativo e luminárias ao longo do caminho. À direita, há mais mesas e cadeiras, além de um prédio com arquitetura clássica. No fundo, vemos uma estrutura que parece ser uma ponte ou viaduto sobre água, com árvores ao longo do lado oposto.

Terraço do Passeio Público, demolido no início do século XX. Imagem retirada do site Rio que passou.

Os demais vice-reis realizaram poucas obras de transformação urbana. D. José Luís de Castro (conde de Resende), que assumiu o vice-reinado em 1790, enfrentou a tensão dos desdobramentos da Conjuração Mineira e a iminência da eclosão da

Conjuração Carioca

, o que restringiu sua intervenção urbanística à substituição das lajes de pedra que cobriam a rua da Vala, (atual Uruguaiana), introduzidas pelo conde da Cunha (vice-rei de 1763 a 1767), e o aterramento do Campo de Santana para a criação de um espaço de lazer. Um de seus feitos mais importantes foi começar o processo de iluminação pública da cidade com lampiões a óleo de baleia.

Outras memórias

Memória 1 de 4: Arco do Teles