EstátuadeBellini-Maracanã

Tempo de leitura 3 min

Rio Memórias

Esta placa integra o circuito ‘Zona Norte’. Clique aqui e veja mais sobre esse e outros circuitos.

Click here for English

“— Então está combinado! A gente se encontra na estátua do Bellini.”

Tradicional ponto de encontro de torcedores em dias de jogo no Maracanã e de visitação turística no Rio de Janeiro, o monumento "Aos Campeões Mundiais de Football” — ou “estátua do Bellini”, como é mais conhecida — foi concebido, inicialmente, como homenagem ao capitão e à seleção brasileira que conquistou o primeiro campeonato mundial para o Brasil, na Suécia, em 1958.

Um conjunto de pessoas em frente à estatua em homenagem ao jogador Bellini

Monumento aos campeões mundiais de futebol em 1969. Foto: site Cariocadorio

Hilderaldo Luís Bellini se destacou como zagueiro do Vasco da Gama (1952-1962), quando foi convocado para a Copa do Mundo de 1958. Era um zagueiro clássico, estilo “xerifão”. Sobre seu estilo de jogo, Nelson Rodrigues escreveu com ironia: "Na defesa, Bellini chutava até a bola". Seja pelo estilo, ou pela liderança, foi escolhido como capitão de uma seleção que contava com nomes como Nilton Santos, Zito, Didi, Zagallo e Pelé.

Jogadores da Seleção Brasileira de 1958 em pose para foto antes da final

O escrete de 1958. Foto: site Museu da Pelada

Obra do artista plástico Matheus Fernandes, professor do Instituto Municipal de Belas Artes, a estátua foi confeccionada em bronze, mede 9 metros de altura e pesa cerca de 3 toneladas. A imagem retrata um jogador de futebol de pé sobre um globo de granito, segurando em uma das mãos uma bola e, na outra, com o braço erguido, a taça Jules Rimet, troféu que premia o vencedor da Copa do Mundo da FIFA. Este conjunto se encontra sobre um pedestal de pedra.

Estátua de atleta erguendo troféu em frente ao Maracanã, com esfera marcando anos 1958 e 1962.Descrição da imagem: A imagem é uma fotografia de uma estátua localizada em frente ao Estádio do Maracanã. A estátua representa um atleta erguendo um troféu com a mão direita. O atleta está sobreposto a uma esfera esculpida com os anos "1958" e "1962". Ao fundo, há uma estrutura arquitetônica com colunas e bandeiras penduradas. À esquerda e à direita da imagem, há palmeiras. O céu é azul claro e sem nuvens.

Wikimedia commons

A ideia de homenagear os campeões mundiais de 1958 ganhou força no início do ano de 1960, impulsionada pelo Jornal dos Sports e pelo programa de rádio, Noite de Gala, patrocinado pela rede de eletrodomésticos Rei da Voz. Apesar de até hoje não haver certeza de quem foi o idealizador da homenagem, é fato de que ambos patrocinaram sua realização.

Placa com nome dos jogadores homenageados

Face frontal do pedestal da estátua – placa com os patrocinadores da homenagem. Foto: Matheus Avellar

A estátua foi inaugurada no dia 13 de novembro de 1960, na Avenida Maracanã, em frente a uma das rampas de acesso ao estádio. Em cerimônia que contou com diversos jogadores campeões do mundo, João Havelange, então presidente da Confederação Brasileira de Desportos, e os patronos da homenagem, o Jornalista Mário Filho — diretor do Jornal dos Sports — e o empresário Abraham Medina, proprietário das lojas Rei da Voz.

Jogadores e autoridades em frente à estátua, em 1969

Cerimônia de inauguração do monumento contou com diversos jogadores campeões na Suécia, João Havelange, Mario Filho e Abraham Medina. Arquivo Pessoal

Apesar de consagrada na memória popular como estátua do Bellini, a falta de semelhança entre o rosto do capitão da seleção de 1958 e o rosto retratado na estátua alimentam certa polêmica. Há quem diga que o rosto retratado seria do cantor Francisco Alves — conhecido como o Rei da Voz, mesmo nome da rede de lojas que patrocinou a confecção da estátua. Há ainda quem garanta que o rosto pertence ao jornalista Hamilton Sbarra, a quem o autor, Matheus Fernandes teria solicitado uma fotografia para servir de modelo para a cabeça da peça. Independente da controvérsia sobre o rosto, é sabido que o zagueiro Bellini chegou a posar em pelo menos em duas sessões para o escultor.

Duas fotos, lado a lado: a estátua, e a pose do jogador Bellini, erguendo a taça

Controvérsias à parte, o monumento eternizou o gesto — até então inédito — do capitão Bellini, que inaugurou uma época de hegemonia do futebol brasileiro no contexto mundial, coroada com as conquistas de 1962 e 1970, ajudando o país a se livrar — no campo futebolístico — do que Nelson Rodrigues chamou de complexo de vira-latas. Em 1998 e 2011 foram adicionadas novas placas ao pedestal da estátua com os nomes dos campeões mundiais de 1962, 1970, 1994 e 2002, que passaram, também, a ser homenageados pelo monumento.

Placas com nomes de jogadores campeões mundiais de futebol.Descrição da imagem: A imagem mostra duas placas metálicas fixadas em uma parede. A placa à esquerda menciona "Jogadores Tetra-Campeões do Campeonato Mundial de Futebol 1994 Estados Unidos", listando nomes de jogadores. A placa à direita menciona "Jogadores Penta-Campeões do Campeonato Mundial de Futebol 2002 Coréia do Sul Japão", também com uma lista de nomes de jogadores. Ambas as placas são pretas com letras douradas e estão posicionadas lado a lado, com a placa de 1994 à esquerda e a de 2002 à direita.

Detalhes das placas de bronze no pedestal. Foto: Matheus Avellar

Logotipos representando Rio Capital do G20, Prefeitura de Turismo e Memórias.Descrição da imagem: A imagem apresenta três logotipos dispostos horizontalmente, de esquerda para direita. O primeiro logotipo, à esquerda, é azul e branco com o texto "RIO CAPITAL DO G20 BRASIL 2024" e um símbolo colorido. Ao centro, há um logotipo azul com o texto "RIO PREFEITURA TURISMO". À direita, um logotipo laranja com o texto "RIO MEMÓRIAS". Todas as letras são em maiúsculas e o fundo é branco.

Outras memórias

Memória 1 de 4: Estátua Carlos Gomes