BoateVogue

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Rio Memórias

Há quem diga que nenhum outro espaço revolucionou mais a cena noturna carioca do que a Boate Vogue, um ícone dos anos 1940 e 1950. São inúmeras as lendas e histórias pitorescas da casa, que ficava na avenida Princesa Isabel, no centro nervoso de Copacabana. A "boîte" foi fundada por Max von Stukart, o Barão, um austríaco de linhagem nobre que chegou ao Rio fugindo da guerra. Logo a Vogue se tornou o palco mais cool da cidade, frequentado pelas figuras mais importantes da época. No campo musical, era eclético. Grandes cantoras como Dolores Duran, Elizeth Cardoso e Emilinha Borba fizeram história em seu palco. Mas a marca registrada da Vogue era o piano do turco Sacha Rubin, que recepcionava os habitués com suas canções prediletas.

Jornal antigo de 1955 sobre incêndio no 'Vogue'.Descrição da imagem: A imagem é um jornal antigo, datado de 16 de agosto de 1955, com o título "AS CENAS IMPRESSIONANTES DO INCÊNDIO NO EDIFÍCIO 'VOGUE'". A página é preta e branca, com texto em destaque e algumas imagens em preto e branco. Na parte superior, há o cabeçalho do jornal "CORREIO DA MANHÃ" e o número do caderno. O texto está dividido em várias seções, incluindo uma foto de destaque à esquerda, que mostra o interior de um edifício danificado após um incêndio. À direita, há artigos sobre a escada de incêndio e deficiências técnicas. No centro inferior, há uma imagem de pessoas dentro de um edifício, possivelmente em um resgate ou investigação.

Jornal noticia incêndio na Boate Vogue

No burburinho de seus salões, travaram-se conversas cruciais para o cenário econômico, cultural e político do país. A Vogue, afinal, era antes de tudo um lugar de encontro. Ao mesmo tempo, marcava uma mudança de comportamento na elite carioca, que ia assumindo ares mais liberais. Casamentos foram feitos e desfeitos ao som da famosa orquestra do estabelecimento. Também dizem que foi a Vogue quem lançou um prato tipicamente carioca: o picadinho. O chef russo Gregoire Belinzanski, que teria introduzido o estrogonofe por aqui, fez uma adaptação no prato para não ferir estômagos tornados suscetíveis pelo consumo de uísque. Assim, saía o creme de leite e entrava a farofa e o ovo, para dar 'sustança' e reverter os efeitos do álcool.

A boate foi extinta por um grande incêndio, em 1956, episódio terrível, que perdurou por muito tempo no imaginário carioca.

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