Sobre a exposição

Anos-Luz foi uma instalação da artista e diretora Bia Lessa, criada para celebrar os 120 anos da Light, com produção do Rio Memórias. Trata-se de uma experiência imersiva e sensorial em que luz, sombra e tempo se entrelaçam para provocar os sentidos.

O título da instalação faz alusão à unidade astronômica ano-luz, que mede a distância percorrida pela luz em um ano. E seu conceito geral aborda o tripé luz, energia e movimento. A obra se desdobra em diferentes espaços, criando experiências entre o ver e não ver. Anos-Luz conecta seus espaços e elementos com linhas elásticas que simulam fios da rede elétrica e trazem referências a obras marcantes da arte contemporânea brasileira — como a geometria sutil de Ttéia, de Lygia Pape; as linhas delicadas de Little Lights, de Jac Leirner — além de artistas que exploraram a luz e a sombra como pensamento e linguagem, como os cineastas Serguei Eisenstein e Glauber Rocha e o gravador e ilustrador Oswaldo Goeldi.

Luz

Do ponto de vista da física, a luz é a frequência de radiação eletromagnética que pode ser detectada pelo olho humano. Cada comprimento de onda está associado a uma cor, e o espectro visível varia entre 400 e 700 nanômetros (do violeta ao vermelho).

A luz está amplamente presente em todo o universo em pequena e larga escala: seja nos fenômenos ópticos, relativísticos ou quânticos; nas estrelas, galáxias e aglomerados de galáxias. A interação da luz com a distribuição de matéria e energia contribui para a estruturação do universo em larga escala.

Na Terra, ela é experienciada, explorada e aproveitada nos mais diversos âmbitos. Além de matéria das ciências ditas naturais, a luz do Sol aquece o nosso planeta permitindo a organização fina e delicada do clima global onde a vida pôde se desenvolver, sendo responsável pela regulação de aspectos fisiológicos de inúmeros seres vivos, inclusive os humanos.

A manipulação da luz teve importância significativa no desenvolvimento das civilizações através da criação de fontes naturais e artificiais de iluminação — como o fogo, as velas, as lâmpadas a óleo, e finalmente a luz elétrica — possibilitando tanto que as atividades humanas pudessem ser estendidas para além do ciclo natural do dia, quanto o desenvolvimento das mais variadas tecnologias.

Pode-se dizer que o mundo moderno é inteiramente dependente da luz: a eletricidade que chega em cada uma das residências existentes, os sistemas de comunicação ópticos que transmitem dados em altas velocidades, as observações astronômicas e microscópicas, a espectroscopia como forma de investigação dos meios materiais, os desenvolvimentos na medicina, entre muitos outros.

Escuridão

A ausência de luz, ou escuridão, não é uma entidade física, mas pode ser compreendida como um estado ou condição na qual a luz não pode ser vista.

A escuridão pode acontecer por diversos motivos: pela ausência de emissão de radiação eletromagnética na faixa do visível, por sua absorção total, ou pela não transmissão de tal estímulo, como o que acontece em câmaras escuras, cavernas profundas e no ambiente interestelar.

A escuridão também pode ser produzida artificialmente pela absorção completa da luz por materiais opacos e de alta absorvância.

Do ponto de vista cosmológico, o universo que podemos observar é constituído pelos fenômenos que a luz alcança com sua velocidade fixa. Tudo aquilo que ela não atinge, não se torna acessível para nós, e pode ser considerado, nesse sentido, como uma zona de escuridão. Uma escuridão que não se dá pela ausência de radiação eletromagnética visível, mas pela impossibilidade de acessarmos tal radiação.

A luz, nesse sentido, instaura uma perspectiva, um ângulo de visão, que se constitui através da determinação daquilo que podemos ou não podemos experimentar em nosso universo.

Capa do catálogo Anos-Luz

O catálogo da exposição está disponível para download.

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