ComíciodaCandelária-DiretasJá

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Bruno Viveiros Martins

Vai passar - Chico Buarque, 1984.

Em 1983, a pressão popular pelo retorno da democracia após quase vinte anos de Ditadura Militar ganhou novo impulso: a união de partidos políticos, entidades sindicais, movimentos organizados e representantes de amplos setores sociais em apoio à emenda Dante de Oliveira. A proposta era a realização de eleições diretas para presidente no início de 1985. Esse foi o ponto de partida para uma série de debates e atos políticos que, nos meses seguintes, tomaram conta do país.

De janeiro de 1984 até o dia da votação da emenda, em 25 de abril, aproximadamente cinco milhões de pessoas saíram em protesto nas grandes cidades. Essa foi a maior mobilização popular da história do Brasil desde a campanha pela abolição da escravatura, em 1888.

Multidão em comício, prédios ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de um comício. A imagem mostra uma grande multidão reunida em um espaço aberto, cercado por árvores e prédios. Do lado esquerdo, há uma área mais疏鬆,com menos pessoas, enquanto à direita, a densidade da multidão aumenta. No centro, várias faixas são seguidas pelos manifestantes. À direita, um prédio alto e curvado é visível, com janelas regulares. Na parte superior direita, um edifício com uma estrutura circular é destacado.

Manifestação popular no Rio de Janeiro pelas eleições diretas para presidência da República. Rogério Reis, 17 de fevereiro de 1984. Acervo CPDoc FGV

No Rio de Janeiro, o slogan “Eu quero votar para presidente” estampava cartazes, faixas, bandeiras, bottons e camisetas amarelas. Em 10 de abril de 1984, a movimentação começou nas primeiras horas da manhã com endereço certo: a avenida Presidente Vargas, no Centro. Por volta das 14h, roletas de ônibus e balsas foram liberadas para os manifestantes. Pouco a pouco, um milhão de pessoas se reuniu nas proximidades da Igreja da Candelária, onde um palanque foi erguido.

Homem falando em comício, apontando com dedo, suporte de microfones à esquerda, estruturas metálicas ao fundo.Descrição da imagem: Esta é uma fotografia preto e branco de um comício. Na parte central, um homem está falando em um microfone, apontando com o dedo indicador. Ele está sendo apoiado por outros homens atrás dele. À esquerda, há microfones e equipamentos de som. Ao fundo, há estruturas metálicas e iluminação artificial. No canto inferior direito, há uma marca "FGV" e "CPDOC".

Leonel Brizola e Tancredo Neves discursam durante comício no centro do Rio de Janeiro pelas eleições diretas para presidência da República. Vidal da Trindade, 10 de abril de 1984. Acervo CPDoc FGV

A emoção deu o tom da maioria dos discursos, sempre acompanhados por aplausos, gritos de guerra e palavras de ordem a favor da democracia. O jurista Sobral Pinto e o governador Leonel Brizola foram alguns dos mais ovacionados. Ao final do evento, quando o locutor Osmar Santos anunciou a execução do Hino Nacional, a chuva que ameaçava cair desde cedo desabou. E os cariocas voltaram para casa com a alma lavada. Duas semanas depois, a emenda foi derrotada no Congresso Nacional. A festa definitiva seria adiada para 15 de janeiro do ano seguinte, data da eleição indireta de Tancredo Neves, primeiro presidente civil após o fim da Ditadura.


Multidão em comício na Candelária, Rio de JaneiroDescrição da imagem: A imagem é uma fotografia preto e branco de um comício na Candelária, Rio de Janeiro. A esquerda mostra uma grande multidão concentrada na rua, com pessoas caminhando e conversando. À direita, há um jornal chamado "O Globo" com texto e imagens relacionadas ao evento. O título do jornal destaca que foi realizado o maior comício da história da cidade.

Primeira página do jornal com manchete “Cidade faz por diretas seu maior comício”. O Globo, Rio de Janeiro, 11 de abril de 1984, n. 18417. Acervo O Globo.

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Memória 1 de 4: O golpe que instaurou a ditadura civil-militar